As intoxicações agudas são causas frequentes de internação em UTI Pediátrica, e o conhecimento das toxisíndromes é uma ferramenta para identificação das causas e do tratamento adequado. Assinale a alternativa correta em relação às toxisíndromes, às causas e aos antídotos.
- A)A síndrome depressiva/narcótica causada por benzodiazepínicos, opioides ou barbitúricos provoca hipotensão, hipertermia, midríase, depressão neurológica e hiporreflexia e tem como antídoto a naloxona para os opioides e o flumazenil para os benzodiazepínicos.
Errada, porque benzodiazepínicos, opioides e barbitúricos causam depressão do SNC com miose e depressão respiratória, não hipertermia nem midríase.
- B)A síndrome anticolinérgica causada por antidepressivos tricíclicos e algumas plantas provocam delírio, hipertermia, miose, taquicardia, retenção urinária e alucinações e tem como antídoto o bicarbonato de sódio.
Errada, porque a síndrome anticolinérgica cursa com midríase, pele seca e retenção urinária, e não miose; além disso, o bicarbonato é usado sobretudo na toxicidade por antidepressivos tricíclicos, não como antídoto da síndrome anticolinérgica.
- C)A síndrome anticolinesterásica por inseticidas organofosforadas e alguns cogumelos provocam efeitos muscarínicos com bradicardia, aumento de secreções respiratórias, miose, agitação, confusão mental, convulsões e tem como antídoto a atropina.
Certa, porque organofosforados e alguns cogumelos podem causar síndrome colinérgica/anticolinesterásica com bradicardia, secreções e miose, e a atropina é o antídoto clássico.
- D)A síndrome extrapiramidal causada por metoclopramida, haloperidol e bromoprida provoca discinesia, distonia, hipotonia, miose e sinal da roda denteada e tem com possíveis antídotos a difenidramina ou biperideno.
Errada, porque a síndrome extrapiramidal por metoclopramida, haloperidol ou bromoprida pode causar distonia e discinesia, mas miose e sinal da roda denteada não são os achados típicos dessa toxidrome.
- E)A meta-hemoglobinêmica por nitritos e dapsonas provocam palidez, cianose, confusão mental e não há antídotos.
Errada, porque a meta-hemoglobinemia por nitritos ou dapsona tem antídoto, geralmente azul de metileno, e não é um quadro sem tratamento específico.
Gabarito: C
Quando a criança chega intoxicada, a toxisíndrome ajuda muito a pensar rápido: você junta pupila, secreção, frequência cardíaca, estado mental e temperatura, e o quadro começa a “se denunciar”. É quase uma leitura de sinais do corpo antes mesmo do exame toxicológico. Em prova, a banca adora trocar um detalhe pequeno, como pupila, secreção ou antídoto, para testar se você sabe o padrão clássico. A alternativa C está correta porque descreve a síndrome anticolinesterásica, típica dos organofosforados e de alguns cogumelos, que aumenta a ação da acetilcolina. O resultado é quadro muscarínico com bradicardia, sialorreia, broncorreia, miose, além de agitação, confusão e até convulsões. O antídoto principal é a atropina, que bloqueia os efeitos muscarínicos; em muitos casos, também se usa pralidoxima, mas o item pede o antídoto essencial e a atropina é a resposta clássica. As demais alternativas misturam sinais de síndromes diferentes. A depressiva/narcótica costuma dar depressão do SNC, miose e depressão respiratória, não hipertermia nem midríase. A anticolinérgica faz o oposto da colinérgica: pele seca, taquicardia, delírio e midríase. A meta-hemoglobinemia tem antídoto, sim, geralmente azul de metileno, então essa também cai por terra. Em pediatria, vale decorar o “mapa mental” das toxíndromes: colinérgica, anticolinérgica, depressora do SNC, extrapiramidal e metemoglobinemia. Isso evita cair na armadilha de saber a droga, mas errar o padrão clínico. E em prova da VUNESP, um único detalhe errado costuma derrubar a alternativa inteira.