Sobre o tratamento da nefropatia por IgA em crianças, assinale a alternativa incorreta.
- A)Há fortes evidências sugerindo um benefício do bloqueio do sistema renina angiotensina em crianças
Certa: o bloqueio do sistema renina-angiotensina é uma medida clássica e benéfica para reduzir proteinúria e proteger o rim na nefropatia por IgA pediátrica.
- B)Diferentemente de adultos, nefropatia por IgA com doença de lesões mínimas pode ser encontrada, e deve ser tratada como síndrome nefrótica sensível a esteroides
Errada: a associação com doença de lesões mínimas pode ocorrer na criança, mas isso não permite afirmar de modo geral que deve ser tratada automaticamente como síndrome nefrótica sensível a esteroides.
- C)O alvo para a pressão arterial sistólica é < percentil 90 para idade, sexo e altura
Certa: o alvo pressórico sistólico abaixo do percentil 90 para idade, sexo e altura é compatível com a meta de controle na criança.
- D)O alvo para a proteinúria é ≤400 mg/1.73 m2 /d
Certa: manter a proteinúria em patamar baixo, como ≤400 mg/1,73 m2/d, é uma meta terapêutica importante.
- E)Como nos adultos, as crianças com nefropatia IgA rapidamente progressiva têm mau prognóstico e deve receber tratamento com glicocorticoides, em geral pulsos de metilprednisolona e ciclofosfamida
Certa: na forma rapidamente progressiva, o prognóstico é ruim e o uso de pulsos de metilprednisolona com ciclofosfamida é uma estratégia aceita.
Gabarito: B
A nefropatia por IgA na criança costuma ser tratada primeiro de forma bem “pé no chão”: controlar pressão arterial, reduzir proteinúria e usar bloqueio do sistema renina-angiotensina quando indicado. Em pediatria, isso é importante porque a redução da proteinúria ajuda a proteger o rim e melhora o prognóstico. Diretrizes nefrológicas, como as do KDIGO, reforçam essa linha de cuidado conservador e individualizado. Quando a doença vem com proteinúria persistente, o alvo é apertar a pressão arterial sistólica para abaixo do percentil 90 para idade, sexo e altura, e buscar proteinúria baixa, em geral até 400 mg/1,73 m2/d. Ou seja: o tratamento não é só “dar remédio”, mas mirar metas objetivas. Rim gosta de meta, quase um concurseiro. Nos casos rapidamente progressivos, com piora acelerada da função renal e sem esperar sentado, o prognóstico é ruim e costuma-se lançar mão de glicocorticoides, muitas vezes em pulsos de metilprednisolona, associados a ciclofosfamida, como se faz em formas graves da doença. Isso também é compatível com a abordagem descrita em consensos e revisões especializadas. A alternativa B é a incorreta porque generaliza uma associação histológica que pode existir na infância, mas não define de forma automática o tratamento da nefropatia por IgA. Quando há lesões mínimas associadas, a conduta passa a seguir o fenótipo clínico e a resposta esperada, e não uma regra simplificada de que isso “deve” ser tratado como síndrome nefrótica sensível a esteroides em todos os casos.