Paciente de 23 anos refere dor, edema, calor local e diminuição da amplitude de movimento em tornozelo esquerdo, de início há 1 semana, associados às mesmas queixas em joelho direito há 2 dias. Quando indagado ativamente sobre infecções recentes, refere tratamento para uretrite há 40 dias. A análise do líquido sinovial de joelho revela 15000 células/ mm³, predomínio de neutrófilos, bacterioscopia e culturas negativas. Levando em consideração esse caso clínico, qual é o patógeno mais provável de ser responsável pelo quadro?
- A)Clostridium difficile.
Clostridium difficile pode desencadear artrite reativa em contexto gastrointestinal, mas não é a hipótese mais provável quando a história é de uretrite.
- B)Chlamydia trachomatis.
Chlamydia trachomatis é o agente clássico de uretrite que precede artrite reativa, encaixando perfeitamente no quadro.
- C)Klebsiella pneumoniae.
Klebsiella pneumoniae não é a causa típica desse padrão de artrite pós-uretrite em grandes articulações.
- D)Escherichia coli.
Escherichia coli pode causar infecções urinárias, mas não é o patógeno clássico associado a esse quadro articular reativo.
- E)Pseudomonas aeruginosa.
Pseudomonas aeruginosa costuma aparecer em outras infecções, sobretudo hospitalares, e não explica bem esse caso.
Gabarito: B
O caso descreve uma artrite aguda assimétrica, em membros inferiores, com joelho e tornozelo acometidos, após episódio recente de uretrite. Esse conjunto é clássico de artrite reativa, uma espondiloartrite que aparece depois de infecção geniturinária ou intestinal. O líquido sinovial inflamado, com predomínio de neutrófilos e culturas negativas, ajuda a reforçar que não se trata de uma artrite séptica típica, mas de um processo inflamatório desencadeado por infecção prévia. Na artrite reativa, um dos agentes mais lembrados é a Chlamydia trachomatis, especialmente quando há história de uretrite algumas semanas antes. A cronologia também encaixa bem: os sintomas articulares costumam surgir dias a poucas semanas após a infecção inicial. É aquele cenário em que a infecção já foi embora, mas o sistema imune continua “brigando” e sobra para a articulação. Por isso o gabarito é a letra B. As hemoculturas e culturas do líquido sinovial negativas, somadas ao padrão oligoarticular em grandes articulações de membros inferiores, apontam para artrite reativa por Chlamydia trachomatis. Em provas, a banca costuma cobrar exatamente essa associação: uretrite recente + artrite assimétrica = pense em artrite reativa por clamídia. Como reforço doutrinário, a artrite reativa é classificada entre as espondiloartrites soronegativas, frequentemente associada ao HLA-B27, embora esse dado não seja necessário para fechar a questão. O importante aqui é reconhecer o gatilho infeccioso e o padrão clínico bem característico.