Sobre o manejo de neoplasias colorretais superficiais baseado nas recomendações da US MULTI-SOCIETY TASK FORCE, é correto afirmar que lesões
- A)diminutas (< 5 mm) devem ser tratadas com polipectomia com alça diatérmica para garantir ressecção completa.
Errada, porque lesões diminutas (< 5 mm) costumam ser removidas por técnica fria, e a alça diatérmica não é a escolha padrão.
- B)pediculadas com cabeça ≥ 20 mm e espessura do pedículo < 5 mm devem ser tratadas exclusivamente com polipectomia com alça a frio.
Errada, porque pólipos pediculados grandes geralmente são tratados com polipectomia por alça, e não exclusivamente com técnica a frio.
- C)não invasivas com tamanho intermediário (10 mm – 19 mm) exigem sempre ablação térmica adjacente após a ressecção.
Errada, porque a ablação térmica adjacente não é obrigatória em toda ressecção de lesão não invasiva intermediária.
- D)não pediculadas ≥ 20 mm devem ser tratadas preferencialmente com ressecção cirúrgica para evitar risco de recorrência.
Errada, porque lesões não pediculadas maiores ainda podem ser tratadas por via endoscópica, e cirurgia não é a preferência inicial automática.
- E)com suspeita moderada para invasão superficial da submucosa podem ser tratadas com mucosectomia ou dissecção submucosa (ESD), se a ressecção completa for possível e segura.
Certa, porque lesões com suspeita moderada de invasão superficial da submucosa podem ser tratadas por EMR ou ESD se a ressecção completa for possível e segura.
Gabarito: E
A conduta nas neoplasias colorretais superficiais depende de tamanho, forma, possibilidade de ressecção completa e, principalmente, do risco de invasão submucosa. A ideia central das recomendações da US Multi-Society Task Force é simples: sempre que a lesão puder ser removida com segurança e chance razoável de cura endoscópica, a abordagem endoscópica vem antes da cirurgia. A cirurgia fica reservada para situações em que há forte suspeita de invasão profunda, impossibilidade técnica de ressecção adequada ou achados histológicos de alto risco após a retirada. Quando a lesão levanta suspeita moderada de invasão superficial da submucosa, a estratégia pode ser mucosectomia (EMR) ou dissecção submucosa endoscópica (ESD), desde que a ressecção completa seja possível e segura. Isso é o coração da alternativa E: a presença de suspeita de invasão superficial não obriga cirurgia de saída. Pelo contrário, o objetivo é obter peça íntegra e avaliação histológica adequada, sem exagerar na agressividade do tratamento quando ainda há chance de cura por via endoscópica. Na prática, a ESD costuma ser mais útil quando se deseja ressecção en bloc em lesões maiores ou com maior chance de invasão superficial, porque melhora a análise anatomopatológica. Já a EMR é ótima para muitas lesões superficiais, mas pode exigir ressecção piecemeal em lesões maiores, o que piora a avaliação histológica e aumenta risco de recorrência. Por isso, a escolha não é por impulso, é por estratégia. As demais alternativas tropeçam em pontos clássicos: lesão diminuta não pede alça diatérmica obrigatoriamente, lesão pediculada grande não é tratada exclusivamente com alça a frio, ablação térmica adjacente não é regra universal e lesões não pediculadas grandes não vão direto para cirurgia só pelo tamanho. O tamanho importa, mas não manda sozinho. O que manda é o conjunto: morfologia, suspeita de invasão e viabilidade de ressecção endoscópica segura.