Assinale a alternativa que contém uma contraindicação à realização de traqueostomia percutânea.
- A)Paralisia de cordas vocais bilateralmente.
Errada, porque paralisia bilateral de cordas vocais não é contraindicação à traqueostomia percutânea; muitas vezes, inclusive, a traqueostomia ajuda no manejo da via aérea.
- B)Traqueomalácia previa em vigência de intubação prolongada.
Errada, porque traqueomalácia e intubação prolongada costumam ser motivos para considerar traqueostomia, não para proibi-la.
- C)Contagem de plaquetas < 100.000 ou INR > 2,5.
Certa, porque plaquetopenia importante e INR elevado aumentam o risco de sangramento e configuram contraindicação relevante para a traqueostomia percutânea.
- D)Infecção pulmonar causada por germe multirresistente.
Errada, porque infecção pulmonar por germe multirresistente não é, por si só, contraindicação ao procedimento.
- E)Distúrbio de troca gasosa necessitando FiO2 > 0,6 ou PEEP > 10 cm H2O.
Errada, porque necessidade alta de FiO2 ou PEEP elevado é mais um fator de cautela/contraindicação relativa do que uma contraindicação clássica absoluta.
Gabarito: C
A traqueostomia percutânea costuma ser feita à beira-leito, com boa segurança quando o paciente está estável e a anatomia cervical permite o procedimento. O ponto central é simples: se o risco de sangramento ou de descompensação respiratória estiver alto demais, a técnica perde vantagem e a equipe deve pensar duas vezes. Na prática, uma das contraindicações mais cobradas é a coagulopatia significativa. Plaquetas baixas e INR elevado aumentam bastante o risco de hemorragia no trajeto da cânula e durante a dilatação da traqueia. Por isso, a alternativa C está correta: contagem de plaquetas 2,5 indica um cenário de maior risco hemorrágico, e a percutânea deve ser evitada ou, no mínimo, postergada até correção. Outro jeito de pensar é este: a traqueostomia percutânea é amiga da estabilidade, não da bagunça hemodinâmica ou ventilatória. Em situações de alta necessidade de FiO2 e PEEP, por exemplo, o paciente pode tolerar mal a abertura do procedimento, embora isso costume ser uma contraindicação relativa e não absoluta. Resumo de prova: quando a questão fala em sangramento importante, coagulopatia ou instabilidade ventilatória grave, acenda o alerta. A banca gosta de testar essa diferença entre contraindicação absoluta, relativa e apenas fator de risco.