Em relação aos procedimentos broncoscópicos, incluindo a lavagem broncoalveolar (LBA), assinale a alternativa correta.
- A)Pneumotórax é a complicação mais comum associada ao LBA.
Errada: pneumotórax não é a complicação mais comum da LBA, sendo mais associado a procedimentos com biópsia pulmonar.
- B)A transmissão de infecções durante a broncoscopia é um risco exclusivamente teórico, sem relatos de surtos relacionados.
Errada: há relatos reais de transmissão de infecções por broncoscópios contaminados, especialmente quando o reprocessamento falha.
- C)Pacientes com coagulopatias ou imunocomprometidos não devem ser submetidos ao LBA devido ao risco elevado de complicações.
Errada: coagulopatia e imunossupressão exigem avaliação cuidadosa, mas não contraindicam automaticamente a LBA.
- D)Antibióticos profiláticos não são recomendados para pacientes asplênicos, com válvulas cardíacas protéticas ou história de endocardite.
Certa: na broncoscopia/LBA, não se recomenda antibiótico profilático de rotina, pois o risco de endocardite ou bacteremia clinicamente relevante é baixo.
- E)A intubação é contraindicada antes do LBA, mesmo em pacientes com insuficiência respiratória aguda.
Errada: a intubação pode ser necessária em pacientes graves para permitir o procedimento com segurança, inclusive em insuficiência respiratória aguda.
Gabarito: D
A broncoscopia com lavagem broncoalveolar (LBA) é um exame muito usado para investigar infecções, doenças intersticiais e outras alterações pulmonares. Em geral, o procedimento é seguro, mas pode causar desconforto, tosse, broncoespasmo, febre transitória e queda passageira da oxigenação. O pneumotórax não é a complicação mais comum da LBA: ele aparece muito mais quando há biópsias, especialmente transbrônquicas, e não na simples lavagem. Outro ponto importante é o controle de infecção. A transmissão de microrganismos por broncoscópios mal reprocessados não é um risco teórico: já foram descritos surtos relacionados a falhas na limpeza e desinfecção do equipamento. Por isso, a vigilância com esterilização e processamento correto do broncoscópio é parte central da segurança do exame. Quanto aos pacientes com coagulopatias ou imunossupressão, a ideia não é proibir automaticamente a LBA. O procedimento pode ser realizado com avaliação do risco e do benefício, ajuste de medicações e correção de distúrbios de coagulação quando necessário. A broncoscopia diagnóstica, em geral, exige bom senso clínico, e não uma interdição genérica. O gabarito está na alternativa D porque antibiótico profilático não é recomendado de rotina para broncoscopia/LBA, mesmo em pacientes com condições cardíacas ou hematológicas que antes geravam muita ansiedade. A prática atual segue o entendimento de que a broncoscopia não justifica profilaxia antibiótica ampla para endocardite, e isso acompanha as diretrizes modernas de prevenção de endocardite, que restringem bastante esse tipo de profilaxia. Em resumo: no broncoscópio, menos antibiótico de rotina e mais técnica bem feita.