Puérpera recebe alta no segundo dia após parto cesárea sem intercorrências. Apresentou diabetes mellitus gestacional, que foi bem controlado com dieta. Seis semanas após o parto faz um teste de sobrecarga à glicose simplificado com 75 g, cujos resultados foram: jejum 98 e, duas horas após, sobrecarga 154. De acordo com os critérios da American Diabetes Association, essa paciente tem o diagnóstico de
- A)normalidade.
Errada, porque os valores não são normais: a glicemia de 2 horas ficou acima de 140 mg/dL.
- B)intolerância à glicose.
Certa, pois a glicemia de 2 horas de 154 mg/dL enquadra-se em intolerância à glicose segundo a ADA.
- C)diabetes mellitus gestacional.
Errada, porque diabetes mellitus gestacional é diagnóstico da gestação, não do exame de 6 semanas após o parto.
- D)diabetes mellitus tipo 2.
Errada, já que não há critérios para diabetes mellitus tipo 2, pois jejum e 2 horas estão abaixo dos pontos de corte diagnósticos.
- E)diabetes mellitus overt.
Errada, porque diabetes overt é diabetes já manifesto fora da gestação, com critérios de diabetes franca, o que não ocorreu aqui.
Gabarito: B
Depois de um diabetes mellitus gestacional, a paciente deve ser reavaliada no puerpério com TOTG de 75 g, geralmente entre 6 e 12 semanas após o parto. Esse exame serve para descobrir se a glicemia voltou ao normal ou se ficou algum grau de alteração persistente do metabolismo da glicose. Aqui, o jejum foi 98 mg/dL, portanto abaixo de 100, e a glicemia de 2 horas foi 154 mg/dL. Pelo critério da American Diabetes Association, glicemia de 2 horas entre 140 e 199 mg/dL define intolerância à glicose, também chamada de pré-diabetes. Para diabetes mellitus, seria necessário jejum maior ou igual a 126 mg/dL ou 2 horas maior ou igual a 200 mg/dL. Como não atingiu esses valores, não é diabetes franco, nem diabetes gestacional, porque ela já está no pós-parto. É aquele clássico da prova: o nome muda, mas a glicose insiste em dar trabalho.