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Medicina · VUNESP · 2025

Questão comentada de Medicina

Paciente feminina de 35 anos apresenta-se com queixa de dor em região anal após evacuação há 5 meses. Refere histórico de constipação e episódios de hematoquezia, sem outros antecedentes pessoais, sem dor abdominal e sem alteração das fezes. Ao exame físico, verifica-se o que segue na imagem: (Arquivo pessoal; imagem utilizada com autorização) Com relação ao quadro, assinale a alternativa correta.

Gabarito: C

A fissura anal é uma causa muito comum de dor anal após evacuação, geralmente acompanhada de sangramento vermelho vivo no papel ou no vaso. O quadro costuma aparecer em pessoas com constipação e esforço evacuatório, porque a passagem de fezes endurecidas gera uma pequena laceração da mucosa do canal anal. A dor é bem típica: intensa, em “corte”, e pode durar algum tempo depois de evacuar, o que ajuda muito no raciocínio clínico. Quando a fissura se torna crônica, o que costuma acontecer após semanas a meses de sintomas, a lesão ganha sinais de “briga antiga”: bordas endurecidas/fibrosadas, plicoma sentinela, papila anal hipertrófica e, em alguns casos, exposição de fibras do esfíncter anal interno. Isso diferencia a fissura crônica da lesão aguda, que é mais superficial e sem essas alterações estruturais. Por isso, o gabarito é a letra C: ela descreve corretamente uma fissura anal crônica pelo tempo de sintomas e pelo aspecto da lesão. Além disso, a manometria anorretal pode ajudar em casos selecionados, especialmente quando se pensa em hipertonia esfincteriana e na escolha do tratamento, embora não seja exame de rotina para todo mundo. Um detalhe importante de prova: a fissura anal típica fica na linha média posterior, não anterior, e quando a localização é lateral ou fora do padrão você deve pensar em outras causas, como doença de Crohn, tuberculose, HIV, sífilis ou neoplasia. Ou seja, o examinador gosta de misturar o “normal” com o “suspeito” para ver se você cai na armadilha.

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