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Medicina · VUNESP · 2025

Questão comentada de Medicina

Um homem de 40 anos, previamente saudável, é admiti do na emergência após um acidente automobilístico. Ele apresenta trauma torácico fechado, fratura de múltiplas costelas e hemotórax direito, além de fratura exposta de fêmur esquerdo. Na admissão, está consciente, mas com sinais de hipoperfusão periférica (pulso de 130 bpm, pressão arterial de 80/50 mmHg). Após estabilização ini cial com reposição volêmica e drenagem torácica, inicia--se a investigação laboratorial. Os exames mostram: glicemia de 210 mg/dL, lactato de 5 mmol/L, leucocitose de 18.000/mm3 e níveis de cortisol plasmático elevados. Assinale a alternativa que indica, dentre as seguintes estratégias iniciais, a mais apropriada para manejar a res posta endócrino-metabólica ao trauma nesse paciente.

Gabarito: C

No trauma grave, o organismo entra em modo de sobrevivência: sobe cortisol, catecolaminas e glucagon, aparece hiperglicemia, lactato alto, taquicardia e um estado catabólico importante. Isso faz parte da resposta endócrino-metabólica ao trauma e não se resolve, de início, com medidas “agressivas” para baixar números isolados, porque o problema central é o estresse fisiológico e a lesão em curso. O manejo inicial correto mira em reduzir o estímulo doloroso e o consumo metabólico, além de sustentar o paciente para evitar perda proteica excessiva. Por isso, analgesia bem feita ajuda muito: controla dor, diminui descarga adrenérgica e atenua a resposta ao estresse. Em paralelo, a reposição proteica precoce é útil para reduzir o catabolismo e dar substrato para recuperação, especialmente em trauma grave. A letra C está certa porque combina duas medidas coerentes com a fisiopatologia: analgesia multimodal e suporte nutricional/proteico precoce. Isso é mais inteligente do que tentar “apagar o incêndio” apenas com insulina, corticoide, betabloqueador ou restrição calórica severa. Em trauma, o objetivo não é castigar o metabolismo, e sim conduzi-lo com suporte adequado. Vale lembrar que essa lógica é compatível com a doutrina clássica do atendimento ao trauma: primeiro reanimação, controle da dor, controle da fonte de sangramento/lesão e suporte metabólico. A hiperglicemia de estresse costuma ser transitória e deve ser interpretada no contexto global do paciente, não como alvo isolado de tratamento imediato.

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