G.B.N., 36 anos, GII PI 1C A0, idade gestacional cronológica de 7 semanas, sem ultrassom prévio, deu entrada no PSO com queixa de sangramento vaginal vermelho- -vivo em pequena quantidade há cerca de 7 dias e início de dor abdominal de início súbito. Ao exame físico: PA 90 x 60 mmHg, FC 100 bpm, Sat O2 96%, abdome: dor a descompressão brusca positiva, toque vaginal: colo impérvio e posterior, fundo uterino intrapélvico. De acordo com o caso, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico mais provável.
- A)Mola hidatiforme.
Errada: mola hidatiforme costuma cursar com útero aumentado, sangramento e beta-hCG desproporcionalmente alto, sem esse padrão de abdome agudo e irritação peritoneal.
- B)Aborto incompleto.
Errada: no aborto incompleto, o colo geralmente está dilatado e há eliminação ou retenção de restos ovulares, o que não foi descrito no caso.
- C)Ameaça de aborto.
Errada: ameaça de aborto tem sangramento com colo fechado e paciente estável, sem sinais de peritonite ou choque.
- D)Gestação ectópica rota.
Certa: a associação de gestação inicial, dor abdominal súbita, sangramento, hipotensão relativa, taquicardia e dor à descompressão sugere gestação ectópica rota.
- E)Apendicite aguda.
Errada: apendicite pode dar dor abdominal e descompressão dolorosa, mas não explica bem o sangramento vaginal na gestação inicial.
Gabarito: D
Neste caso, o quadro é de gravidez muito inicial com sangramento vaginal e dor abdominal súbita, mas o detalhe que pesa mais é a instabilidade hemodinâmica leve, a dor à descompressão brusca e o toque com colo impérvio e útero intrapélvico. Em obstetrícia, isso acende a luz amarela bem forte para gestação ectópica, especialmente quando não há ultrassom prévio e ainda não se confirmou gestação intrauterina. A gestação ectópica ocorre quando o embrião se implanta fora da cavidade uterina, mais frequentemente na tuba. Quando ela rota, pode causar sangramento intra-abdominal, dor intensa e sinais de irritação peritoneal, como a dor à descompressão. A pressão pode cair e a frequência cardíaca subir, mesmo antes de a paciente entrar em choque franco. É a típica situação em que não dá para “esperar para ver”. O sangramento vaginal pequeno e intermitente não exclui ectópica, muito pelo contrário: é um achado comum. Já em aborto incompleto, costuma haver colo entreaberto e restos ovulares, o que não foi descrito aqui. Na ameaça de aborto, o colo permanece fechado, mas a paciente não apresenta sinais de abdome agudo nem instabilidade. Mola hidatiforme costuma dar útero maior que o esperado, sangramento e beta-hCG muito elevado, o que não combina com o caso. Por isso, o diagnóstico mais provável é gestação ectópica rota. Na prática, o raciocínio é simples: gestação inicial + dor súbita + sangramento + sinais de irritação peritoneal + possível repercussão hemodinâmica = pense primeiro em ectópica rota até prova em contrário.