Em pacientes com enxaqueca crônica refratária, qual intervenção terapêutica requer a identificação de padrões específicos de dor e um teste diagnóstico-terapêutico antes de sua implementação?
- A)Inibidores do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina (CGRP).
Inibidores de CGRP são usados na prevenção da enxaqueca, mas não exigem teste diagnóstico-terapêutico prévio com padrão doloroso específico.
- B)Bloqueio do nervo occipital maior.
Correta: o bloqueio do nervo occipital maior pode ser precedido pela identificação de padrão compatível de dor e usado como teste diagnóstico-terapêutico.
- C)Terapia com toxina botulínica tipo A.
A toxina botulínica tipo A é opção consagrada na enxaqueca crônica, porém não depende desse tipo de avaliação prévia localizada.
- D)Antidepressivos tricíclicos, como amitriptilina.
A amitriptilina é uma medicação profilática útil, mas não exige mapeamento específico de dor nem bloqueio teste antes do uso.
- E)Anticonvulsivantes, como topiramato.
O topiramato também é profilático e amplamente empregado, mas não requer teste diagnóstico-terapêutico antes de ser iniciado.
Gabarito: B
Na enxaqueca crônica refratária, a escolha do tratamento costuma ir além de “tomar remédio e torcer”. Alguns casos exigem identificar melhor o padrão da dor para entender se há participação de estruturas periféricas, como os nervos occipitais, que podem estar mantendo ou amplificando a crise. É aí que entra o bloqueio do nervo occipital maior: ele pode funcionar como teste diagnóstico-terapêutico, ajudando a confirmar se aquele território doloroso realmente responde à intervenção. Esse detalhe é o que a questão quer cobrar. Antes de fazer o bloqueio, o médico precisa reconhecer padrões específicos de dor, como dor em topografia occipital, pontos gatilho e características que sugiram neuralgia occipital ou sensibilização local. Se o bloqueio alivia a dor, isso reforça a hipótese e orienta a continuidade da estratégia terapêutica. Os demais tratamentos citados, como toxina botulínica, CGRP, amitriptilina e topiramato, são opções conhecidas na profilaxia da enxaqueca crônica. Mas eles não dependem, em regra, de um teste diagnóstico-terapêutico prévio com mapeamento tão específico da dor. Por isso, são mais “tratamento de prateleira” do que “tratamento com prova antes”. Então, o gabarito B está correto porque o bloqueio do nervo occipital maior é justamente a intervenção que costuma exigir a identificação de um padrão doloroso compatível e uma resposta ao bloqueio como teste antes de consolidar sua indicação.