Paciente idoso, 70 anos, tabagista, portador de hipertensão arterial, dislipidemia e intolerância a glicose, apresenta história de dor lombar, realizou ultrassom abdominal que evidenciou aorta abdominal de 5,8 cm. A conduta nesse caso é:
- A)Acompanhamento clínico e ultrassom semestral.
Errada, porque aneurisma de 5,8 cm não deve ficar apenas em seguimento clínico e ultrassom semestral, já que o risco de ruptura é elevado.
- B)Indicar cirurgia aberta ou endovascular devido ao risco de ruptura.
Certa, pois aneurisma de aorta abdominal com diâmetro acima do ponto de corte para intervenção deve ser tratado por cirurgia aberta ou endovascular.
- C)Iniciar anticoagulação oral para prevenir trombose.
Errada, porque anticoagulação oral não trata aneurisma de aorta abdominal e ainda pode piorar o risco em caso de ruptura.
- D)Encaminhar para reavaliação após 6 meses.
Errada, porque uma lesão já com 5,8 cm e sintomática não deve aguardar reavaliação tardia; precisa de avaliação vascular imediata.
- E)Prescrever betabloqueadores para redução do tamanho do aneurisma.
Errada, porque betabloqueador pode ajudar no controle pressórico, mas não reduz o tamanho do aneurisma nem substitui a indicação de reparo.
Gabarito: B
Aneurisma de aorta abdominal é aquele “vilão silencioso” que pode ficar anos sem dar sinal e, de repente, romper. Em geral, ele é definido como dilatação da aorta abdominal maior que 3 cm, e o principal medo é a ruptura, cujo risco aumenta muito quando o diâmetro cresce. Fatores como tabagismo, hipertensão, dislipidemia e idade avançada aumentam bastante a chance de doença aterosclerótica e de complicações. Na prática, o tamanho do aneurisma manda na conduta. Em aneurismas menores, cabe seguimento com imagem periódica e controle rigoroso dos fatores de risco. Mas, quando a aorta abdominal chega a 5,8 cm, o risco de ruptura já é alto o suficiente para indicar reparo eletivo, seja por cirurgia aberta, seja por tratamento endovascular, conforme anatomia e condições do paciente. Por isso o gabarito é a letra B. Em provas e em diretrizes vasculares, o ponto de corte clássico para intervenção em aneurisma de aorta abdominal é cerca de 5,5 cm em homens, ou crescimento rápido/sintomas. Aqui ainda há dor lombar, o que reforça a preocupação com aneurisma sintomático e aumenta mais a necessidade de intervenção. Ou seja: não é caso para “só observar mais um pouco”. Com 5,8 cm, a conduta correta é encaminhar para tratamento cirúrgico ou endovascular, porque o relógio aqui corre contra o paciente.