Os recém-nascidos pré-termo com doença pulmonar crônica (DPC) apresentam desafios nutricionais específicos devido ao maior gasto energético e ao risco de comprometimento do crescimento. Com base nas diretrizes para a nutrição de prematuros com DPC, assinale a alternativa correta.
- A)A nutrição enteral com leite materno fortificado é recomendada para garantir aporte adequado de calorias e proteínas, pois a demanda energética desses bebês é aumentada.
Certa: o leite materno fortificado é recomendado para suprir o maior gasto energético e melhorar o aporte de proteínas e minerais nesses prematuros.
- B)O aumento da oferta calórica deve ser evitado, pois pode levar ao desenvolvimento de obesidade na infância e agravar a condição pulmonar devido ao acúmulo de gordura corporal.
Errada: em DPC, aumentar calorias costuma ser necessário para evitar falha de crescimento, não algo a ser evitado por medo de obesidade futura.
- C)A suplementação de ferro não é necessária, pois esses bebês geralmente não apresentam anemia e a nutrição enteral é suficiente para suprir as necessidades hematológicas.
Errada: prematuros com DPC frequentemente precisam de suplementação de ferro, porque o risco de anemia e de deficiência nutricional é relevante.
- D)Recém-nascidos com DPC devem ser alimentados exclusivamente com fórmulas infantis de alta densidade calórica, pois o leite materno não atende às suas necessidades energéticas e nutricionais.
Errada: o leite materno não deve ser descartado; em geral ele é preferido e pode ser fortificado para atender melhor às necessidades do prematuro.
- E)A restrição hídrica rigorosa deve ser implementada em todos os casos de DPC, independentemente do grau da doença, para evitar sobrecarga respiratória e melhorar a função pulmonar.
Errada: restrição hídrica pode até ser considerada em situações específicas, mas não é uma regra absoluta para todos os casos de DPC.
Gabarito: A
O recém-nascido pré-termo com doença pulmonar crônica (DPC), também chamada de displasia broncopulmonar, costuma gastar mais energia para respirar e ainda pode ter dificuldade para ganhar peso. Por isso, a nutrição precisa ser mais “caprichada” do que a de um prematuro sem esse problema: não basta oferecer volume, é preciso garantir calorias, proteínas, minerais e vitaminas em quantidade adequada. A ideia é apoiar o crescimento sem piorar a função respiratória. Nesse cenário, o leite materno continua sendo a melhor base da alimentação, mas muitas vezes precisa ser fortificado. Isso ajuda a aumentar a oferta de energia e, principalmente, de proteínas, cálcio, fósforo e outros nutrientes importantes para o crescimento do prematuro. Em prematuros com DPC, essa estratégia é muito usada porque o leite materno isolado pode não suprir toda a demanda metabólica aumentada. O ponto central da questão é justamente esse: como esses bebês têm maior gasto energético e risco de crescimento insuficiente, a nutrição enteral com leite materno fortificado é recomendada. Não é para “economizar calorias”; pelo contrário, a meta é evitar desnutrição e favorecer ganho ponderal adequado, o que também ajuda na recuperação global do prematuro. As diretrizes neonatais e pediátricas para prematuros com DPC costumam reforçar alimentação individualizada, com ajuste de calorias e monitorização do crescimento. Em outras palavras: o bebê não pode ser tratado como um “mini adulto”, nem como um prematuro qualquer. Ele precisa de combustível de qualidade para crescer e respirar melhor.