Na avaliação utilizando o POP-Q (do inglês, Pelvic Organ Prolapse Quantification System), constatou-se que mais da metade (52,3%) das mulheres tinha algum grau de prolapso. O diagnóstico do prolapso de órgãos pélvicos é realizado principalmente por meio da avaliação clínica (história e exame físico). Entender sobre a anatomia relacionada à sustentação dos órgãos pélvicos é importante, para que o procedimento cirúrgico seja bem-sucedido. Assinale a alternativa que representa a principal estrutura responsável pela sustentação uterina.
- A)Corpo perineal.
Errada: o corpo perineal é importante para o assoalho pélvico, mas não é a principal estrutura de sustentação uterina.
- B)Arco tendíneo da fáscia pélvica.
Errada: o arco tendíneo da fáscia pélvica atua como ponto de fixação da fáscia, ajudando na sustentação vaginal, não sendo o principal suporte do útero.
- C)Ligamento pubocervical.
Errada: o ligamento pubocervical contribui para o suporte anterior da vagina e da bexiga, mas não é a estrutura principal de sustentação uterina.
- D)Fáscia retovaginal.
Errada: a fáscia retovaginal participa do suporte posterior vaginal e do compartimento posterior, sem ser o principal apoio do útero.
- E)Complexo cardinal-uterossacro.
Certa: o complexo cardinal-uterossacro é a principal estrutura de sustentação uterina e da cúpula vaginal.
Gabarito: E
No POP-Q, a ideia central é identificar quais estruturas realmente sustentam os órgãos pélvicos, especialmente o útero, que depende de um sistema de apoio bem organizado para não “descer”. Em prova, a banca costuma misturar estruturas de sustentação primária com estruturas de suporte do períneo ou da parede vaginal, então vale separar uma coisa da outra. A principal sustentação uterina vem do complexo cardinal-uterossacro, formado pelos ligamentos cardinais e uterossacros. Eles funcionam como o grande sistema de ancoragem do colo uterino e da porção superior da vagina, mantendo o útero em posição e resistindo à tração para baixo. Por isso, quando há falha dessa sustentação, surgem prolapsos apicais, como o prolapso uterino ou de cúpula vaginal. O corpo perineal, o arco tendíneo da fáscia pélvica, o ligamento pubocervical e a fáscia retovaginal também têm papel na sustentação do assoalho pélvico e das paredes vaginais, mas não são a principal estrutura de suporte uterino. Em outras palavras: ajudam no conjunto, mas não são o “pilar mestre” da sustentação do útero. Então, o gabarito é a letra E porque o complexo cardinal-uterossacro é a base anatômica mais importante para a sustentação uterina. Em cirurgia de prolapso, entender isso é essencial para corrigir a causa do problema e não apenas “empurrar” o órgão de volta para o lugar.