A nutrição parenteral é essencial para garantir crescimento e desenvolvimento adequados em recém-nascidos pré-termo, especialmente aqueles com muito baixo peso ao nascer. Assinale a alternativa correta em relação às necessidades de energia e macronutrientes para esses recém-nascidos.
- A)A oferta energética inicial na nutrição parenteral deve ser de 45 a 55 kcal/kg/dia, com progressão gradual até atingir 90 a 120 kcal/kg/dia, garantindo um ganho de peso adequado.
Correta: a oferta energética inicial e a progressão descritas estão compatíveis com a nutrição parenteral do prematuro de muito baixo peso.
- B)O fornecimento de aminoácidos na nutrição parenteral deve ser iniciado somente após 48 horas de vida para evitar sobrecarga renal e hiperamonemia, já que prematuros apresentam metabolismo proteico imaturo.
Errada: os aminoácidos devem ser iniciados precocemente, e não após 48 horas, para reduzir catabolismo e apoiar o crescimento.
- C)A infusão de lipídios deve ser limitada a 1 g/kg/dia durante a primeira semana de vida, pois o metabolismo imaturo dos prematuros impede a adequada utilização de ácidos graxos essenciais, podendo levar a hiperlipidemia severa.
Errada: os lipídios podem ser iniciados cedo e em doses progressivas; limitar rigidamente a 1 g/kg/dia na primeira semana não é a regra.
- D)A glicose deve ser administrada a uma taxa constante de 10 mg/kg/minuto desde o nascimento para evitar hipoglicemia, pois recém-nascidos pré-termo possuem baixa reserva hepática de glicogênio e necessitam de aporte energético elevado.
Errada: a glicose não deve ser administrada de forma fixa em 10 mg/kg/min desde o nascimento, pois isso aumenta o risco de hiperglicemia.
- E)A principal fonte de carboidratos na nutrição parenteral é a frutose, pois ela é rapidamente metabolizada sem necessidade de ajustes na insulina, sendo mais segura para recém-nascidos prematuros.
Errada: a frutose não é a principal fonte de carboidrato na nutrição parenteral neonatal; a glicose é o substrato usado rotineiramente.
Gabarito: A
Nos recém-nascidos pré-termo, especialmente os de muito baixo peso, a nutrição parenteral precisa começar cedo e ser bem calculada, porque eles têm pouca reserva de glicogênio, pouca gordura e crescem rápido. A ideia não é “encher” de uma vez, mas oferecer energia e substratos de forma progressiva, para imitar o mais possível o crescimento intrauterino sem provocar complicações metabólicas. Em geral, a energia inicial fica em torno de 45 a 55 kcal/kg/dia, com aumento gradual até cerca de 90 a 120 kcal/kg/dia. Esse intervalo permite sustentar crescimento e metabolismo basal enquanto o organismo ainda está se adaptando. Por isso, a alternativa A está correta: ela descreve exatamente uma estratégia de oferta energética progressiva e adequada para prematuros. Quanto aos macronutrientes, os aminoácidos devem ser iniciados precocemente, muitas vezes já no primeiro dia de vida, porque ajudam a reduzir o catabolismo proteico e favorecem ganho de massa magra. Lipídios também não devem ser postergados por muitos dias, pois são importantes como fonte energética e de ácidos graxos essenciais. Já a glicose não deve ser infundida em taxa fixa e alta desde o nascimento, e a frutose não é a principal fonte de carboidrato na nutrição parenteral neonatal. Na prática, o foco é ajustar a infusão para evitar tanto hipoglicemia quanto hiperglicemia. Em neonatologia, o segredo é equilíbrio: nem “banquete”, nem jejum disfarçado.