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Medicina · VUNESP · 2023

Questão comentada de Medicina

Mulher, 76 anos, com insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, está recebendo alta após tratamento diurético intensivo após internação de 3 dias por descompensação clínica. Assinale a alternativa correta em relação a essa paciente.

Gabarito: A

Na insuficiência cardíaca com fração de ejeção reduzida, a ausência de sinais clínicos de congestão na alta não garante que o paciente esteja hemodinamicamente “seco” por dentro. É comum que, mesmo melhorando o edema e a dispneia com diurético, a paciente ainda mantenha pressões de enchimento elevadas no ventrículo esquerdo. Em outras palavras: o corpo pode parecer mais tranquilo antes do coração entrar em modo relax total, e isso é exatamente o ponto da questão. A alternativa A está correta porque a avaliação clínica isolada tem limitações. O exame físico pode não captar congestão residual, e a pressão de enchimento pode continuar alta apesar de melhora dos sintomas. Isso é especialmente relevante na fase pós-descompensação, quando a paciente acabou de passar por diurese intensiva e ainda está em período de maior vulnerabilidade. As demais alternativas tentam misturar conceitos verdadeiros com detalhes errados. Após internação por insuficiência cardíaca, o risco de reinternação e morte é elevado nas primeiras semanas, o que exige seguimento precoce, revisão de peso, sintomas, função renal, eletrólitos e adesão terapêutica. Em diretrizes de insuficiência cardíaca, recomenda-se reavaliação em geral dentro de 7 a 14 dias após a alta, e programas multidisciplinares tendem a reduzir eventos e custos, não o contrário. Na prática, a mensagem é: melhorou no leito não significa que o risco acabou. A alta deve ser tratada como um recomeço vigiado, não como ponto final.

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