Homem, 52 anos, apresenta história de dispneia aos esforços progressiva. Realiza ecocardiograma que demonstra dilatação de ambos os átrios, obliteração do ápice dos ventrículos direito e esquerdo e padrão de enchimento diastólico ventricular do tipo restritivo. Assinale a alternativa que corresponde à hipótese diagnóstica.
- A)Amiloidose.
Errada: a amiloidose também pode causar cardiomiopatia restritiva, mas o achado de obliteração apical biventricular é muito mais típico de endomiocardiofibrose.
- B)Cardiomiopatia hipertrófica apical.
Errada: a cardiomiopatia hipertrófica apical cursa com hipertrofia do ápice, e não com fibrose endocárdica e obliteração apical dos ventrículos.
- C)Cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito.
Errada: a cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito afeta principalmente o VD com dilatação, arritmias e substituição fibroadiposa, sem padrão restritivo clássico.
- D)Endomiocardiofibrose.
Certa: a endomiocardiofibrose causa fibrose endocárdica com obliteração apical e padrão de enchimento diastólico restritivo, exatamente como descrito.
- E)Pericardite constritiva.
Errada: a pericardite constritiva pode dar fisiologia restritiva, mas o eco não mostra obliteração apical por fibrose endocárdica, e sim limitação do enchimento por pericárdio espessado/rígido.
Gabarito: D
A chave aqui é juntar dois achados que apontam para uma cardiomiopatia restritiva: dispneia progressiva e padrão de enchimento diastólico restritivo no eco. Quando o ventrículo fica “duro”, ele enche mal na diástole, então o sangue vai se acumulando antes dele, causando dilatação de átrios. Isso já acende a luz para doenças infiltrativas ou fibrosantes do miocárdio e endocárdio. Na endomiocardiofibrose, ocorre espessamento e fibrose do endocárdio, geralmente nas regiões apicais dos ventrículos, com obliteração do ápice e comprometimento do enchimento ventricular. O eco clássico mostra átrios dilatados, ventrículos com ápice “fechado” e fisiologia restritiva. É uma cardiomiopatia restritiva de causa fibrosante, muito cobrada quando a banca mistura sinais de IC direita, esquerda e restrição diastólica. Por isso o gabarito é a letra D. O enunciado descreve praticamente a assinatura da doença: fibrose endocárdica com obliteração apical biventricular e padrão restritivo. É o tipo de descrição em que o exame de imagem conta a história inteira sem precisar de muito drama clínico extra. Como raciocínio de prova, pense assim: átrios grandes + ventrículo rígido + ápice obliterado = endomiocardiofibrose. Não é hipertrofia, não é arritmia do VD e não é problema do pericárdio. A banca gosta justamente dessa mistura para ver se você distingue doença do miocárdio/endocárdio de doença pericárdica.