Garoto de 7 anos é trazido à consulta por dificuldade escolar. Apresentou antecedente de atraso do desenvolvimento motor e de ser “mais molinho” nos primeiros anos de vida. Atualmente, está em acompanhamento com a endocrinologia por obesidade e apetite compulsivo. Na avaliação, deficiência intelectual é evidente, mas a criança apresenta uma boa interação com o examinador, os olhos têm aspecto amendoado, e as mãos e pés são pequenos em relação ao corpo. Qual deve ser o primeiro exame para investigação etiológica do caso?
- A)PCR, para pesquisa de expansão CGG no gene FMR1.
Errada, porque a expansão CGG em FMR1 pesquisa síndrome do X frágil, que não explica o conjunto hipotonia neonatal, hiperfagia e mãos e pés pequenos.
- B)Sequenciamento completo do exoma.
Errada, pois o exoma não é o primeiro exame em uma síndrome clínica bem caracterizada com teste molecular direcionado e mais sensível.
- C)Ressonância magnética de crânio com contraste.
Errada, já que a ressonância de crânio não confirma essa etiologia genética e não é o exame inicial para esse fenótipo.
- D)Teste de metilação da região cromossômica 15q.
Certa, porque o teste de metilação da região 15q11-q13 é o exame inicial mais indicado para investigar síndrome de Prader-Willi.
- E)FISH para deleção da região cromossômica 22q11.
Errada, porque a deleção 22q11 está associada a outra síndrome, com cardiopatia, hipocalcemia e imunodeficiência, não a esse quadro.
Gabarito: D
O quadro descreve muito bem a síndrome de Prader-Willi: hipotonia e atraso motor nos primeiros anos, depois hiperfagia com obesidade, deficiência intelectual, mãos e pés pequenos e um fenótipo comportamental bem típico. Os olhos “amendoados” e a boa interação também podem aparecer, mas o ponto-chave aqui é a combinação de hipotonia neonatal com apetite compulsivo na infância. Em concurso, quando a história clínica já desenha a síndrome, o primeiro passo é confirmar a alteração genética mais comum ligada à perda da expressão paterna da região 15q11-q13. Por isso, o exame inicial indicado é o teste de metilação da região cromossômica 15q. Ele detecta a alteração de imprinting e ajuda a confirmar a síndrome de Prader-Willi na grande maioria dos casos, independentemente de a causa ser deleção paterna, dissomia uniparental materna ou defeito de imprinting. Em outras palavras: ele é o teste mais sensível para começar a investigação etiológica. A lógica prática é simples: primeiro você confirma o padrão molecular típico; depois, se necessário, parte para exames complementares para definir o mecanismo exato. Não adianta começar com exoma ou RM de crânio, porque o quadro é genético e clínico, não uma investigação inespecífica de neuroimagem. A banca costuma cobrar exatamente isso: reconhecer a síndrome pela semiologia e lembrar que a perda da expressão paterna em 15q11-q13 é o alvo do exame inicial. É um clássico de neurologia pediátrica com cara de endocrinologia também, porque a obesidade e a hiperfagia chamam atenção cedo.