Escolar de 9 anos sofre uma contusão em perna direita durante uma partida de futebol na escola. Dias após, a mãe do menor o leva à emergência, pois ele apresenta dor intensa além de aumento de volume da perna direita. Realizado ultrassom com Doppler e diagnosticada uma trombose venosa profunda naquela região. Após tratamento do quadro agudo, qual dos exames abaixo, em nível ambulatorial, NÃO faz parte da investigação deste escolar?
- A)Antígeno do Fator de von Willebrand
Errada, porque o antígeno do fator de von Willebrand investiga tendência hemorrágica, não trombofilia.
- B)Mutação do fator V de Leiden
Certa como exame da investigação de trombofilia, pois a mutação do fator V de Leiden aumenta risco de trombose.
- C)Mutação da protrombina (G20210A)
Certa como exame da investigação de trombofilia, já que a mutação da protrombina G20210A é causa hereditária pró-trombótica.
- D)Proteína S
Certa como parte da avaliação, pois a deficiência de proteína S pode favorecer eventos trombóticos.
- E)Antitrombina III
Certa como parte da avaliação, porque a antitrombina III é um anticoagulante natural e sua deficiência aumenta o risco de trombose.
Gabarito: A
Em uma trombose venosa profunda em criança, principalmente quando o evento parece desproporcional para a idade, depois da fase aguda costuma-se pensar em investigação de trombofilia. A ideia é procurar alterações que aumentem a tendência a formar trombos, como mutação do fator V de Leiden, mutação da protrombina G20210A e deficiências naturais de anticoagulantes, como proteína C, proteína S e antitrombina. Isso ajuda a entender o risco de recorrência e a orientar seguimento com hematologia. Aqui mora a pegadinha: nem todo exame de hemostasia entra nessa investigação. O antígeno do fator de von Willebrand avalia doença de von Willebrand, que se relaciona mais com sangramento do que com trombose. Ou seja, é um exame útil em outro contexto, mas não faz parte da bateria ambulatorial típica para trombofilia após TVP. Nas crianças, essa avaliação costuma ser feita fora da fase aguda, porque inflamação, uso de anticoagulante e o próprio evento trombótico podem alterar resultados de alguns testes. Por isso, o raciocínio é: primeiro tratar a trombose, depois investigar o terreno pró-trombótico com os exames apropriados. Em provas, memorize o grupo clássico: fator V de Leiden, mutação da protrombina, proteína C, proteína S e antitrombina. Se aparecer algo ligado a sangramento, como von Willebrand, desconfie imediatamente do enunciado.