Paciente primípara na 35ª semana de gravidez. Procurou a emergência com queixa de formigamento em mãos. Negava outras queixas. Exames laboratoriais e ultrassonográfico complementares normais. Ao exame, pressão arterial de 160 x 80 mmHg (confirmada), dinâmica uterina ausente, edema ausente e batimentos cardíacos fetais de 156 bpm. Toque vaginal com colo uterino fechado, longo e posterior. A proteinúria de fita foi negativa. Assinale a conduta mais adequada.
- A)Sulfato de magnésio e indução do parto com misoprostol.
Errada, porque o quadro sugere necessidade de interrupção com via de parto definida pela urgência e pelo colo desfavorável, e não apenas indução com misoprostol.
- B)Sulfato de magnésio e cesariana
Certa, pois há hipertensão em faixa grave com indicação de sulfato de magnésio e interrupção da gestação, sendo a cesariana a melhor via diante de colo fechado e sem trabalho de parto.
- C)Conduta expectante hospitalar (enfermaria de alto risco).
Errada, porque não se trata de caso para simples observação: a pressão é grave e a gestação já está em idade em que a interrupção é indicada.
- D)Indução do parto com misoprostol, sem necessidade de sulfato de magnésio
Errada, porque a indução sem sulfato ignora a prevenção de eclampsia em quadro com sinais de gravidade.
- E)Conduta expectante ambulatorial.
Errada, porque acompanhamento ambulatorial é inadequado diante de hipertensão grave na gestação.
Gabarito: B
Aqui a sacada é lembrar que preeclampsia não depende só de proteinúria. Gestante com pressão arterial em faixa grave, como sistólica de 160 mmHg, já entra na zona de alerta máximo, mesmo com fita negativa. Na prática, o corpo está dizendo: "isso não é hipertensão leve para observar em casa". No caso, além da hipertensão grave, ela está com 35 semanas, então já existe indicação de interromper a gestação. Quando há suspeita de preeclampsia com sinais de gravidade, o sulfato de magnésio é usado para prevenir convulsões e deve fazer parte da conduta. Ele não trata a pressão em si, mas protege a mãe de eclâmpsia. A via de parto depende da condição obstétrica. Como o colo está fechado, longo e posterior, sem dinâmica uterina, a indução tem chance baixa de sucesso imediato. Por isso, a melhor escolha entre as alternativas é cesariana após estabilização materna e uso de sulfato de magnésio. Resumo de prova: pressão em faixa grave + gestação a partir de 34 semanas + colo desfavorável = interromper a gestação, com magnesio para neuroproteção materna. A proteinúria negativa não derruba o diagnóstico quando há hipertensão grave; isso é coerente com as diretrizes obstétricas atuais, que valorizam os sinais maternos e não apenas a fita urinária.