Criança de 12 anos vem para a consulta com história de reação à picada de himenópteros, com urticária disseminada, angioedema labial, dispneia e vômitos. A genitora não sabe informar qual inseto foi responsável. Durante a investigação, a IgE específica solicitada para abelha e vespa são positivas, sendo a IgE para formiga negativa. Diante do achado, qual é o provável antígeno responsável pela reatividade cruzada e pode orientar a escolha da imunoterapia específica?
- A)Tropomiosina
Tropomiosina é um alérgeno muito lembrado em crustáceos e ácaros, mas não é o principal marcador aqui para reatividade cruzada entre venenos de himenópteros.
- B)Hialuronidase
Hialuronidase é um alérgeno presente em diferentes venenos de himenópteros e pode explicar reatividade cruzada entre testes para abelha e vespa.
- C)Fosfolipase A1
Fosfolipase A1 é importante no veneno de abelha, mas não é a melhor resposta para a reatividade cruzada cobrada na questão.
- D)Antígeno-5
Antígeno-5 é um alérgeno relevante em vespas e outros himenópteros, mas a questão aponta para o componente clássico compartilhado entre venenos.
- E)Alfa-gal
Alfa-gal se relaciona com síndrome de alergia à carne vermelha associada a carrapatos, não com reatividade cruzada entre venenos de himenópteros.
Gabarito: B
Reações a picadas de himenópteros podem ser bem intensas, indo de urticária e angioedema até anafilaxia. Quando a história sugere veneno de inseto, a investigação com IgE específica ajuda a diferenciar qual veneno está envolvido e, principalmente, a escolher a imunoterapia mais adequada. Neste caso, a criança tem IgE positiva para abelha e vespa, mas negativa para formiga. Isso chama atenção para reatividade cruzada entre venenos de himenópteros, e o principal antígeno associado a esse fenômeno, entre as alternativas, é a hialuronidase. Ela aparece em diferentes venenos e pode “confundir” os testes sorológicos, fazendo parecer que há sensibilização para mais de um inseto. Por isso, quando o paciente reage a abelha e vespa, mas não a formiga, a interpretação mais provável é de um componente compartilhado entre esses venenos, com impacto direto na escolha da imunoterapia específica. Na prática, o alergista cruza história clínica, testes cutâneos e IgE específica, porque o exame isolado nem sempre conta a história toda. Resumo da prova: a banca quer que você reconheça que o problema não é um antígeno exclusivo de um inseto, e sim um componente com reatividade cruzada entre venenos. Entre as opções, a hialuronidase é o clássico associado a essa situação.