Paciente de 80 anos de idade, com histórico de hipertensão arterial sistêmica, apresenta baixa visual súbita e indolor em olho direito. Ao exame, nota-se retina de aspecto pálido e mácula escura (mácula em cereja). A conduta ADEQUADA nesse caso é:
- A)injeção intravítrea de r-TPA.
Errada: a trombólise intravítrea com r-TPA não é a conduta padrão e não substitui a investigação vascular sistêmica.
- B)panfotocoagulação à laser da retina.
Errada: panfotocoagulação a laser é usada em retinopatia proliferativa e outras situações de neovascularização, não nesse quadro agudo isquêmico.
- C)corticoides em altas doses (pulsoterapia).
Errada: pulsoterapia com corticoide é típica de arterite temporal e outras inflamações, mas o quadro descrito aponta para oclusão arterial retiniana.
- D)a adoção imediata de protocolos voltados para o diagnóstico e a prevenção do acidente vascular encefálico isquêmico.
Certa: a oclusão arterial da retina deve ser manejada como um evento isquêmico vascular, com investigação e prevenção de AVC.
Gabarito: D
Baixa visual súbita, indolor, em idoso hipertenso, com retina pálida e mácula em cereja, é praticamente o retrato clássico de oclusão da artéria central da retina. Pense nisso como um "AVC do olho": a retina sofre isquemia aguda, e a mácula fica avermelhada porque a região central preserva melhor a coloração enquanto o restante empalidece. É uma urgência oftalmológica, mas o raciocínio não para no olho, porque esse quadro costuma refletir doença vascular sistêmica importante. Na prática, a conduta mais importante é tratar o caso como um evento vascular isquêmico e acionar protocolos de investigação e prevenção de AVC isquêmico, incluindo avaliação neurológica, vascular e fatores de risco. O paciente precisa de encaminhamento rápido para investigar a fonte embólica e reduzir o risco de novo evento, inclusive cerebral. Em outras palavras: não é hora de "só olhar o olho"; é hora de pensar no corpo inteiro. A alternativa D está correta porque a oclusão da artéria central da retina tem associação forte com aterosclerose, embolia carotídea e risco aumentado de acidente vascular encefálico. Diretrizes de oftalmologia e neurologia tratam a perda visual monocular súbita por isquemia retiniana como equivalente de isquemia cerebral aguda, exigindo protocolo de AVC e prevenção secundária. A ideia é identificar a causa e evitar o próximo evento, que pode ser muito pior. Os tratamentos locais, como trombólise intraocular, não são a conduta padrão consagrada para a maioria dos casos, principalmente fora de janela e sem confirmação específica. O ganho visual costuma ser limitado, então a prioridade real é sistêmica e preventiva. Aqui, o olho foi o alarme do problema vascular.