Homem de 45 anos apresenta há dois meses diarreia líquida, com cólica e dores articulares. Procura atendimento médico com queixa de dor abdominal predominantemente no quadrante inferior direito, que melhora com a evacuação. Ao exame físico está febril, pálido e emagrecido. História patológica pregressa de fístula anorretal. O diagnóstico e a opção terapêutica adequados nesse caso são, respectivamente:
- A)Apendicite aguda / Cirurgia.
Errada: apendicite aguda é um quadro agudo, não explica diarreia crônica, emagrecimento, febre persistente e fístula anorretal.
- B)Doença de Crohn / Azatioprina.
Certa: o conjunto de diarreia crônica, dor em quadrante inferior direito, perda de peso e fístula anorretal é típico de Doença de Crohn, e a azatioprina é opção terapêutica clássica.
- C)Retocolite ulcerativa / Hidrocortisona.
Errada: retocolite ulcerativa costuma começar no reto e seguir de forma contínua, sendo muito menos associada a fístulas perianais e dor em fossa ilíaca direita.
- D)Colite pseudomembranosa / Metronidazol.
Errada: colite pseudomembranosa geralmente está ligada ao uso prévio de antibióticos e ao quadro de infecção por Clostridioides difficile, não a fístula anorretal e doença inflamatória intestinal crônica.
Gabarito: B
O quadro descrito aponta para uma doença inflamatória intestinal crônica, e aqui a pista mais forte é a combinação de diarreia há semanas, dor abdominal em quadrante inferior direito, emagrecimento, febre, anemia/palidez e, principalmente, a presença de fístula anorretal. Isso é bem típico de Doença de Crohn, que pode acometer qualquer parte do tubo digestivo, mas adora o íleo terminal e o cólon direito, por isso a dor no quadrante inferior direito aparece com frequência. Outro detalhe importante é que a dor melhora com a evacuação, o que pode confundir com síndrome do intestino irritável, mas o resto do quadro grita inflamação orgânica: febre, perda de peso, diarreia persistente e manifestação perianal. Em concurso, quando aparece fístula anorretal, pense com carinho em Crohn antes de qualquer outra hipótese. O intestino está literalmente dizendo que o problema vai além de uma simples cólica funcional. Quanto ao tratamento, a Doença de Crohn costuma ser tratada de acordo com gravidade e localização. Em casos moderados ou com necessidade de manutenção/imunossupressão, a azatioprina é uma opção clássica, especialmente para poupar corticoide e manter remissão. Em geral, o raciocínio de prova é: Crohn tem inflamação transmural, fístulas e predileção por íleo terminal, e o manejo pode exigir imunossupressor como a azatioprina. Por isso, o gabarito é a letra B. As outras alternativas tentam misturar diagnósticos de abdome agudo, colites infecciosas e retocolite ulcerativa, mas a fístula anorretal praticamente entrega Crohn de bandeja.