Considerando o tratamento cirúrgico da endometriose, assinale a alternativa correta.
- A)Quando a cirurgia é realizada, pelo menor risco cirúrgico, deve-se optar pela ablação das lesões de endometriose em vez da excisão para reduzir a dor associada à endometriose.
Errada, porque a excisão costuma ser mais eficaz que a ablação para controle da dor e remoção completa das lesões em muitos cenários.
- B)A ablação laparoscópica do nervo uterossacro deve ser sempre associada à cirurgia laparoscópica para endometriose, pois melhora significativamente a dor pós-operatória.
Errada, porque a neurectomia uterossacra não deve ser rotina nem sempre associada à cirurgia, já que seus benefícios são limitados e não universalmente recomendados.
- C)A histerectomia (com ou sem remoção dos ovários) com remoção de todas as lesões visíveis de endometriose pode ser considerada naquelas mulheres que não desejam mais engravidar e não responderam a tratamentos conservadores. Contudo, devem ser informadas de que a histerectomia não necessariamente curará os sintomas da doença.
Certa, pois a histerectomia com remoção das lesões visíveis pode ser indicada em casos refratários e sem desejo reprodutivo, mas não garante cura dos sintomas.
- D)Ao realizar cirurgia em mulheres com endometrioma ovariano, a drenagem e coagulação são preferíveis à cistectomia, pois a cistectomia reduz a reserva ovariana e não há diferença na recorrência de endometrioma e dor associados à endometriose.
Errada, porque no endometrioma a cistectomia costuma oferecer melhores desfechos que drenagem e coagulação, com menor recorrência, embora possa impactar a reserva ovariana.
- E)Recomenda-se prescrever tratamento hormonal pré-operatório para melhorar o resultado imediato da cirurgia para dor em mulheres com endometriose.
Errada, porque o tratamento hormonal pré-operatório não é recomendado de rotina para melhorar desfecho imediato da cirurgia para dor.
Gabarito: C
No tratamento cirúrgico da endometriose, a lógica não é "tirar de qualquer jeito", e sim remover a doença com a melhor chance de aliviar a dor e reduzir recidiva, preservando ao máximo a função dos órgãos, especialmente ovários e fertilidade. Por isso, em muitas situações a excisão das lesões é preferida à simples ablação, porque permite retirada mais completa do tecido doente e melhor controle da doença em casos selecionados. A alternativa correta é a C porque a histerectomia pode ser uma opção em mulheres que não desejam mais gestar, já fizeram tratamento conservador e seguem sintomáticas, especialmente quando associada à remoção de todas as lesões visíveis. Mas aqui mora o detalhe que a banca adora: mesmo com histerectomia, a endometriose não desaparece por milagre. Se houver doença residual fora do útero, ou se os ovários forem preservados em alguns casos, a dor pode persistir. Na prática, isso significa que a histerectomia não é "cura garantida", apenas uma alternativa em casos bem selecionados. As diretrizes de sociedades como a ESHRE reforçam justamente essa ideia de individualização do tratamento cirúrgico, com informação clara à paciente sobre benefícios e limites da cirurgia. Resumo de prova: cirurgia na endometriose é caso a caso, e quando o procedimento é radicalizado, ainda assim a paciente deve ser orientada de que os sintomas podem não sumir totalmente. A banca costuma cobrar exatamente essa nuance, porque endometriose gosta de ser teimosa até depois da sala cirúrgica.