Paciente, 33 anos, sexo masculino, relata que há vinte dias apresenta dor epigástrica, mialgia, náusea, hiporexia, febre (37,7ºC) e há sete dias iniciou com colúria e acolia. Nega o uso de drogas lícitas ou ilícitas. Há 30 dias, durante uma viagem para Porto Seguro, relata que colocou três piercings na praia. Ao exame físico foram observadas: ictérica (++/++++), hepatomegalia e dor em hipocôndrio direito à palpação. Aos exames complementares foram identificados: bilirrubina total (BT) = 10mg/dL, [Valor de referência (VR): 0,20 a 1,00 mg/dL]; bilirrubina direta (BD) = 6,6mg/dL, bilirrubina indireta (BI) = 3,4mg/ dL; aspartato aminotransferase (AST) = 520 U/L, alanina aminotransferase (ALT) = 1020 U/L (VR: 5 a 40 UI/L). Entre os marcadores sorológicos listados a seguir, os mais indicados para o esclarecimento diagnóstico deste paciente são:
- A)Anti-HVA IgM; HBeAg; Anti-HBc IgM e Anti-HCV IgM
Errada, porque anti-HCV IgM não é o marcador padrão para hepatite C aguda, e HBeAg não é o melhor exame para esclarecer diagnóstico de hepatite aguda.
- B)Anti-HVA IgM; HBsAg; Anti-HBc IgM e Anti-HCV.
Certa, pois reúne os marcadores adequados para hepatites virais agudas: anti-HAV IgM, HBsAg com anti-HBc IgM para hepatite B, e anti-HCV para rastrear hepatite C.
- C)Anti-HVA IgG; HBeAg; Anti-HBe IgM e Anti-HCV.
Errada, porque anti-HAV IgG sugere contato prévio ou imunidade, e anti-HBe IgM não é marcador usual de diagnóstico na fase aguda.
- D)Anti-HVA IgG; HBsAg; Anti-HBe IgM e Anti-HCV IgM.
Errada, porque anti-HAV IgG não confirma infecção aguda e anti-HBe IgM e anti-HCV IgM não são o conjunto sorológico indicado para este caso.
Gabarito: B
Este caso tem cara de hepatite aguda viral: quadro prodromal com mal-estar, febre baixa, náusea, dor abdominal, seguido de icterícia, colúria e acolia, com transaminases bem elevadas e ALT maior que AST. O detalhe dos piercings feitos na praia é a pista de exposição parenteral, o que levanta principalmente hepatites B e C. Em prova, quando o paciente está com icterícia recente e enzimas hepáticas altas, você pensa primeiro em hepatite aguda, não em hemólise nem em colestase pura. Para esclarecer o diagnóstico, os marcadores mais úteis são os que detectam infecção aguda pelos vírus mais prováveis. Na hepatite A aguda, o exame certo é o anti-HAV IgM. Na hepatite B aguda, a combinação clássica é HBsAg com anti-HBc IgM, porque o anti-HBc IgM aponta infecção recente. Na hepatite C, o anti-HCV ajuda na triagem, embora o ideal, na fase muito inicial, seja o RNA do HCV por PCR, que nem sempre aparece nas alternativas. Por isso o gabarito B é o melhor conjunto: traz anti-HAV IgM, HBsAg, anti-HBc IgM e anti-HCV. A banca quer que você reconheça o cenário clínico de hepatite viral aguda e associe cada vírus ao seu marcador sorológico mais adequado. Em outras palavras: a história conta o filme, e a sorologia confirma o elenco. Um detalhe importante: HBeAg não é marcador de diagnóstico inicial de hepatite aguda; ele se relaciona mais com replicação viral e infectividade. Já IgG para hepatite A não ajuda no quadro agudo, porque costuma indicar contato prévio ou imunidade. Então aqui o raciocínio é de fase aguda, e não de memória imunológica.