Sobre a esclerodermia podemos afirmar:
- A)Na síndrome CREST a hipertensão pulmonar é mais rara.
Errada: na síndrome CREST a hipertensão pulmonar é uma complicação importante e relativamente frequente, não rara.
- B)A corticoterapia sistêmica alivia queixas álgicas e rigidez articular, modifica a progressão da doença e seu uso está indicado na dose de 1mg/Kg dia.
Errada: corticosteroide sistêmico não é tratamento padrão que modifique a progressão da esclerodermia, e a dose de 1 mg/kg/dia não é conduta geral.
- C)O Fenômeno de Raynaud, claudicação intermitente e tromboflebite é tríade comum na esclerodermia.
Errada: fenômeno de Raynaud é comum, mas claudicação intermitente e tromboflebite não formam tríade típica da esclerodermia.
- D)Para as formas de esclerodermia localizada (morfeia) a corticoterapia tópica, análogos da vitamina D (calcipotriol, cacitriol) e o imiquimode 5% são empregados.
Certa: na esclerodermia localizada (morfeia) podem ser usados corticoterapia tópica, análogos da vitamina D e imiquimode 5% em casos selecionados.
- E)A lesão cutânea só estará presente na forma focal da doença e o fenômeno de Raynaud é achado sempre presente na esclerodermia sistêmica ou focal.
Errada: a lesão cutânea não se limita à forma focal, e o fenômeno de Raynaud não está sempre presente, especialmente na esclerodermia localizada.
Gabarito: D
A esclerodermia, ou esclerose sistêmica, é uma doença autoimune marcada por vasculopatia, ativação imune e fibrose da pele e de órgãos internos. Na forma sistêmica, o fenômeno de Raynaud costuma ser um sinal muito comum e pode aparecer antes das alterações cutâneas, enquanto na forma localizada, chamada morfeia, o acometimento fica restrito à pele e tecidos subjacentes, sem o mesmo padrão sistêmico. Ou seja, não basta pensar em "pele endurecida": o ponto central é entender se a doença é localizada ou sistêmica e quais órgãos podem entrar na dança. O gabarito é a letra D porque, nas formas de esclerodermia localizada, o tratamento pode incluir corticoterapia tópica, análogos da vitamina D como calcipotriol e calcitriol, além de imiquimode 5%, que são opções usadas para controlar a atividade inflamatória e o aspecto das lesões. Isso é compatível com a conduta descrita na morfeia, sobretudo nas lesões inflamatórias ou ativas. Já na esclerose sistêmica, o uso de corticosteroide sistêmico não é uma regra e exige cautela, porque pode até ajudar em manifestações inflamatórias selecionadas, mas não modifica de forma geral a progressão da doença e ainda pode aumentar risco de crise renal esclerodérmica, especialmente em doses altas. Então, nada de sair prescrevendo como se fosse "remédio curinga". Em provas, o segredo é lembrar que a morfeia é tratada de forma mais local e a forma sistêmica exige olhar para Raynaud, pele, pulmão, rim e trato gastrointestinal. A banca gosta de misturar tratamento da doença localizada com tratamento da sistêmica para ver se você cai na armadilha.