Paciente com lúpus eritematoso sistêmico (LES) recebeu o diagnóstico de gestação e está preocupada com relação ao uso das medicações para a doença durante esse período. Sobre o tratamento do LES na gestação, é correto afirmar que:
- A)durante a gestação, a dose máxima de prednisona via oral é de 20mg/dia
Errada: não existe dose máxima fixa de 20 mg/dia de prednisona na gestação, e o corticoide deve ser ajustado à menor dose eficaz.
- B)a pulsoterapia com metilprednisolona possui menos efeitos colaterais que a corticoterapia oral
Errada: a pulsoterapia com metilprednisolona não é, por regra, mais segura ou com menos efeitos colaterais do que a corticoterapia oral.
- C)mesmo que a doença esteja em remissão, toda gestante deve receber prescrição de hidroxicloroquina
Certa: a hidroxicloroquina deve ser mantida ou prescrita na gestação em pacientes com LES, mesmo em remissão, por segurança e redução de surtos.
- D)a azatioprina deverá ser trocada para o micofenolato mofetil, que é o imunossupressor de escolha na gravidez
Errada: o micofenolato mofetil é contraindicado na gravidez por ter efeito teratogênico, e a azatioprina é a opção mais aceita.
Gabarito: C
Na gestação, o manejo do lúpus eritematoso sistêmico precisa equilibrar controle da doença e segurança fetal. A ideia central é simples: doença controlada gera menos risco para a mãe e para o bebê do que uma suspensão irresponsável de medicações. Por isso, vários fármacos que seriam problemáticos fora da gravidez precisam ser revistos, mas alguns são mantidos justamente porque ajudam a evitar surtos. A hidroxicloroquina é o grande exemplo clássico. Ela é considerada segura na gestação e deve ser mantida, mesmo quando o lúpus está em remissão, porque reduz atividade da doença, diminui risco de exacerbações e traz benefício materno-fetal. Em prova, essa é uma daquelas frases que a banca gosta de testar como se fosse pegadinha de repetição: se a paciente já usava, não deve suspender só porque engravidou. Já os corticoides podem ser usados, mas na menor dose eficaz. Não existe um teto rígido de 20 mg/dia de prednisona como regra absoluta, então essa alternativa está errada. E a pulsoterapia com metilprednisolona não é "mais leve" por definição; ela costuma ser reservada para situações de maior gravidade, com mais intensidade terapêutica e potenciais efeitos adversos próprios. Por fim, a azatioprina é uma opção aceitável na gestação, enquanto o micofenolato mofetil é contraindicado por ter risco teratogênico. Então, quando a questão fala em trocar azatioprina por micofenolato na gravidez, ela faz exatamente o oposto do que deve ser feito. O gabarito é a letra C porque a hidroxicloroquina deve ser prescrita e mantida na gestante com LES, mesmo em remissão.