Menino, 12 anos de idade, apresenta dor na região anterior do joelho esquerdo, que piora após práticas de exercícios e melhora com repouso. Iniciou aula de futebol 3 vezes por semana há 60 dias devido sobrepeso. Ao exame, dor e edema em tuberosidade da tíbia. O diagnóstico mais provável neste caso é:
- A)Artrite juvenil.
Errada, porque artrite juvenil costuma ter quadro inflamatório articular mais difuso, com rigidez e sinais em outras articulações, e não dor localizada na tuberosidade da tíbia após esforço.
- B)Tumor ósseo.
Errada, porque tumor ósseo não é a apresentação típica de dor mecânica relacionada ao exercício com edema em apófise de tração em adolescente ativo.
- C)Doença de Legg-Calvé-Pethers.
Errada, porque a doença de Legg-Calvé-Perthes acomete a cabeça do fêmur e causa dor no quadril ou no joelho por irradiação, não edema na tuberosidade tibial.
- D)Fratura óssea.
Errada, porque fratura óssea costuma ter relação com trauma agudo e dor mais intensa imediata, não com início progressivo após repetição esportiva.
- E)Doença de Osgood-Schlatter.
Certa, porque a doença de Osgood-Schlatter é uma osteocondrose por tração da tuberosidade da tíbia em adolescentes praticantes de esporte, com dor anterior no joelho e aumento de volume local.
Gabarito: E
O quadro descreve uma osteocondrose por sobrecarga da adolescência, muito comum em meninos em fase de crescimento e que começam esporte repetitivo de impacto, como futebol. A dor aparece na face anterior do joelho, piora com atividade física e melhora com repouso, exatamente o tipo de história que faz o ortopedista pensar em tração repetida sobre a tuberosidade da tíbia. O local do desconforto e do edema é uma pista bem forte, porque ali fica a inserção do tendão patelar. Na doença de Osgood-Schlatter, há inflamação e microtraumas na apófise da tuberosidade tibial, geralmente em adolescentes ativos, sobretudo após aumento brusco de treino. Pode haver dor à palpação, aumento de volume local e, em alguns casos, limitação para correr, saltar ou agachar. Não é uma infecção, não é fratura típica e também não costuma vir com sintomas sistêmicos importantes. O ponto-chave para não errar é ligar idade + esporte de repetição + dor anterior no joelho + dor/edema na tuberosidade da tíbia. Isso praticamente desenha o diagnóstico. O manejo costuma ser conservador, com redução temporária da sobrecarga, gelo, analgesia e orientação para retorno gradual às atividades. Em geral, melhora com o fim do crescimento e com controle do esforço. Se você lembrar de uma frase simples, fica fácil: adolescente esportista com “caroço dolorido” abaixo da patela pensa em Osgood-Schlatter até prova em contrário. É uma das causas clássicas de dor anterior no joelho na fase de crescimento, bem conhecida em ortopedia pediátrica.