Paciente, 64 anos, chega para avaliação médica apresentando dor óssea generalizada, fadiga progressiva e dor óssea difusa, particularmente nas costas e costelas, há cerca de 3 meses. Refere perda de peso não intencional de 5 kg no último mês e episódios recorrentes de infeções respiratórias. Não tem história de traumatismo ou outras condições de saúde significativas. Na avaliação inicial observou-se presença de cálcio sérico elevado, Injuria Renal aguda, anemia e lesões óssea líticas nas costelas e coluna vertebral. Sobre este caso marque a afirmativa correta.
- A)Como critério diagnóstico de Mieloma Múltiplo, devemos ter < 10 % de plasmócitos clonais na medula óssea.
Errada, porque o critério diagnóstico não é ter menos de 10% de plasmócitos clonais na medula, e sim geralmente 10% ou mais, ou plasmocitoma com critérios associados.
- B)Na avaliação renal é observado presença de proteinúria a custa de albuminúria e o exame de urina rotina é o padrão ouro.
Errada, porque a lesão renal no mieloma costuma envolver cadeias leves, e a urina tipo rotina não é o padrão-ouro para essa avaliação.
- C)A eletroforese de proteínas deve ser solicitada na suspeita diagnóstica e o seu pico ocorre principalmente pelo pico de IgM.
Errada, porque a eletroforese costuma mostrar pico monoclonal, geralmente de IgG ou IgA, e não principalmente de IgM.
- D)A presença de plasmocitomas extramedular em coluna pode levar a compressão da medula espinhal constituindo uma emergência médica.
Certa, porque plasmocitoma na coluna pode comprimir a medula espinhal e isso configura emergência neurológica.
- E)A quimioterapia deve ser instituída de forma rápida, mas anteriormente o paciente deve receber doses elevadas de corticoide e ciclofosfamida.
Errada, porque o tratamento do mieloma não é padronizado com essa sequência obrigatória de corticoide e ciclofosfamida antes da quimioterapia.
Gabarito: D
O quadro descrito é muito sugestivo de mieloma múltiplo: dor óssea, anemia, hipercalcemia, injúria renal e lesões líticas, ou seja, o famoso conjunto que faz o paciente chegar “sem energia e com osso reclamando”. Em termos práticos, pense em proliferação de plasmócitos clonais produzindo uma proteína monoclonal e lesando medula óssea, rim e osso. Para fechar o diagnóstico, não basta uma contagem baixa de plasmócitos. Em geral, o mieloma exige plasmocitose clonal na medula óssea de 10% ou mais, ou plasmocitoma comprovado, associada a critérios de dano de órgão-alvo ou biomarcadores específicos. A avaliação laboratorial costuma incluir eletroforese de proteínas, imunofixação, cadeias leves livres e estudo de medula óssea. O gabarito está na alternativa D porque plasmocitomas, especialmente em coluna vertebral, podem comprimir a medula espinhal e causar déficit neurológico progressivo. Isso é emergência médica, exigindo ação rápida para evitar sequelas permanentes. Em oncologia e ortopedia, compressão medular é sempre sinal de “não dá para esperar”. As outras opções tropeçam em pontos clássicos: a proteína monoclonal do mieloma não é tipicamente IgM, a proteinúria pode ser por cadeias leves e não albumina, e o critério medular também não é inferior a 10% como regra diagnóstica. A doença tem cara de mieloma, e a letra D encaixa justamente na complicação mais urgente do caso.