Um paciente internado para investigação de derrame pleural unilateral, foi submetido a uma toracocentese para análise do líquido pleural. O achado mais esperado na análise do derrame pleural parapneumônico complicado (empiema), causado por germe bacteriano “típico” é:
- A)aumento de Adenosina Deaminase (ADA).
Errada: ADA elevada sugere muito mais tuberculose pleural do que empiema bacteriano típico.
- B)redução de polimorfonucleares.
Errada: no empiema há aumento, e não redução, de polimorfonucleares, geralmente com predomínio de neutrófilos.
- C)níveis elevados de glicose.
Errada: a glicose costuma cair no derrame parapneumônico complicado, porque as células inflamatórias e bactérias consomem glicose.
- D)aumento de lactato desidrogenase (LDH).
Certa: o LDH tende a aumentar bastante no empiema por inflamação intensa e destruição celular no espaço pleural.
- E)Redução de Proteínas Totais.
Errada: em exsudatos infecciosos, as proteínas totais costumam estar aumentadas, não reduzidas.
Gabarito: D
No derrame pleural parapneumônico complicado, o líquido pleural já entrou na fase de inflamação importante, com muito recrutamento de neutrófilos e intensa atividade celular. Em outras palavras: não é um derrame “quietinho”, ele está brigando com a infecção, e isso muda bastante a bioquímica do líquido. Quando o agente é um germe bacteriano “típico”, o cenário mais esperado é de exsudato com aumento de células polimorfonucleares, queda de pH, redução de glicose e elevação de LDH. O LDH sobe porque há lesão tecidual e lise celular, além de alta atividade inflamatória. Em geral, o líquido pleural fica mais “agressivo” do ponto de vista laboratorial. O empiema é, na prática, a coleção purulenta na cavidade pleural, geralmente associada a pneumonia. Então, se a questão quer o achado mais provável, pense em marcador de inflamação intensa e destruição celular, e não em um perfil de derrame benigno ou de outra etiologia, como tuberculose. Por isso, o gabarito é a alternativa D. Ela traduz exatamente o comportamento clássico de um derrame parapneumônico complicado: LDH alto, com perfil inflamatório exuberante no líquido pleural. A lógica aqui é bem cobrada em prova: mais infecção e mais dano local, mais LDH, menos glicose e piora global do líquido pleural.