Mulher, 75 anos, vem com a filha à consulta médica com queixa de perda de peso de 5kg em um mês, adinamia e palpitações há 3 meses. Paciente com antecedente apenas de HAS em uso de Losartana 100 mg ao dia, independente nas suas atividades diárias. Ao exame físico apresenta tireoide de consistência e volume aumentados, indolor à palpação, com nódulos palpáveis, em ambos os lobos, medindo aproximadamente 2 a 3 cm; restante do exame físico sem alterações significativas. Traz os seguintes exames solicitados por um colega médico há 1 semana: TSH = 0,01 mUI/L (VR = 0,5 – 4,5 mUI/L) e T4 livre = 1,8 ng/dl (VR = 0,7 – 1,5 ng/dl). Assinale a alternativa que apresenta o exame complementar confirmatório, diagnóstico mais provável e tratamento, respectivamente:
- A)TRAb – doença de Graves – betabloqueador
Errada, porque TRAb é exame de apoio para Doença de Graves, mas o quadro clínico sugere bócio multinodular tóxico, não Graves.
- B)Cintilografia de tireoide – bócio multinodular tóxico – iodoterapia
Certa, pois a cintilografia ajuda a confirmar autonomia nodular e o tratamento definitivo habitual é a iodoterapia.
- C)Tireoglobulina – tireoidite subaguda – AntiInflamatórios Não Esteroides (AINE)
Errada, porque tireoglobulina e AINEs se relacionam mais com tireoidite subaguda, que costuma ser dolorosa, diferente do caso.
- D)T3 livre – doença de Hashimoto – metimazol
Errada, porque Hashimoto não causa esse padrão clínico de hipertireoidismo com bócio nodular, e metimazol não é o tratamento clássico de fase definitiva aqui.
- E)Punção aspirativa por agulha fina (PAAF) – carcinoma de tireoide – tireoidectomia
Errada, porque PAAF é indicada para investigação de nódulo suspeito de malignidade, não para confirmar hipertireoidismo causado por nódulos funcionantes.
Gabarito: B
A paciente tem quadro de tireotoxicose: perda de peso, palpitações, adinamia, TSH suprimido e T4 livre elevado. Agora vem a parte importante: nem toda hipertireoidismo em idoso é Doença de Graves. Em idosos, especialmente com bócio nodular palpável e sem dor, o diagnóstico mais provável costuma ser bócio multinodular tóxico, também chamado de hipertireoidismo por autonomia nodular. O exame confirmatório mais útil nesse cenário é a cintilografia de tireoide, porque ela mostra captação heterogênea e áreas "quentes" compatíveis com nódulos hiperfuncionantes. Já o TRAb é mais ligado à Doença de Graves, que costuma vir com bócio difuso, oftalmopatia e, muitas vezes, dermopatia, o que não aparece aqui. Como o quadro sugere produção hormonal autônoma por múltiplos nódulos, o tratamento definitivo preferido é a iodoterapia com radioiodo, muito usada em pacientes idosos e em bócio multinodular tóxico. Betabloqueador pode até aliviar sintomas como palpitação, mas não trata a causa, então ele é coadjuvante, não resposta completa da questão. Resumo de prova: TSH baixo + T4 alto confirma hipertireoidismo; bócio nodular em idoso aponta para bócio multinodular tóxico; cintilografia fecha o raciocínio; radioiodo costuma ser o tratamento definitivo. É o tipo de questão em que a banca quer que você não caia no reflexo automático de marcar Graves.