Paciente de 31 anos de idade, menarca aos 15 anos de idade, com queixa de descarga papilar branca espontânea bilateral há 3 meses, acompanhada de atraso menstrual, com função tireoidiana normal, teste de gravidez sérico negativo, FSH dosado em primeira fase do ciclo de 4,75 mUI/mL. A condição provavelmente associada ao caso é:
- A)Adenoma hipofisário
Correta: adenoma hipofisário, especialmente prolactinoma, é a causa clássica de galactorreia com atraso menstrual por hiperprolactinemia.
- B)Falência ovariana precoce
Errada: falência ovariana precoce costuma cursar com FSH elevado, e não baixo-normal, além de não explicar bem a galactorreia.
- C)Síndrome de Cushing
Errada: síndrome de Cushing pode alterar o ciclo menstrual, mas galactorreia não é a apresentação típica e o quadro aponta mais para hiperprolactinemia.
- D)Síndrome de Mayer Rokitansky Kuster Hauser
Errada: a síndrome de Mayer-Rokitansky-Kuster-Hauser causa ausência de útero e amenorreia primária, não descarga papilar bilateral espontânea.
- E)Endometriose
Errada: endometriose pode causar dor pélvica e infertilidade, mas não explica galactorreia nem o padrão hormonal descrito.
Gabarito: A
Descarga papilar branca, espontânea e bilateral em mulher em idade reprodutiva sempre acende uma luz para galactorreia. Quando isso vem junto com atraso menstrual, a primeira ideia prática é pensar em hiperprolactinemia, porque a prolactina alta inibe GnRH e bagunça o eixo hipotálamo-hipófise-ovário, levando a irregularidade menstrual ou amenorreia. Nesta questão, a tireoide está normal e o teste de gravidez é negativo, então você já tirou dois grandes culpados da frente. O FSH em primeira fase do ciclo está baixo-normal, o que combina com supressão do eixo por prolactina elevada, e não com falência ovariana, em que o FSH costuma vir alto. A causa clássica e mais cobrada de hiperprolactinemia patológica é o adenoma hipofisário produtor de prolactina, o prolactinoma. Ele pode dar galactorreia, atraso menstrual, infertilidade e, em casos maiores, sintomas compressivos. Na prática, o raciocínio é: galactorreia + alteração menstrual + sem gravidez + sem hipotireoidismo = pense em hipófise. Então o gabarito é a alternativa A. Em provas, o caminho mental costuma ser simples e eficiente: primeiro excluir gestação e hipotireoidismo, depois lembrar que prolactina alta pode ser por adenoma hipofisário. É aquele tipo de questão em que a hipófise dá o recado antes do exame de imagem.