Em fratura da tíbia esquerda com lesão vascular abaixo da trifurcação arterial, com acometimento de apenas um vaso, a abordagem adequada para a revascularização do membro é a:
- A)cirurgia em caráter de urgência pelo risco de isquemia grave
Errada, porque nem toda lesão vascular abaixo da trifurcação exige cirurgia urgente com revascularização, sobretudo quando apenas um vaso foi acometido e a perfusão pode ser mantida pelos demais.
- B)oclusão definitiva por meio de suturas hemostáticas
Certa, pois em lesão de apenas um vaso abaixo da trifurcação arterial a oclusão definitiva com sutura hemostática pode ser suficiente para controlar o sangramento sem necessidade de reconstrução vascular.
- C)revascularização de um tronco vascular
Errada, porque a revascularização de um tronco vascular só é indicada quando há comprometimento relevante da irrigação do membro, e não automaticamente em lesão isolada de um único vaso.
- D)cicatrização por segunda intenção
Errada, porque cicatrização por segunda intenção é conduta de ferida de partes moles, não a solução para uma lesão arterial traumática com necessidade de controle vascular.
Gabarito: B
Em trauma vascular de membro inferior, a conduta depende muito de onde a lesão aconteceu e de quantos vasos foram atingidos. Quando a lesão está abaixo da trifurcação arterial da perna, a circulação já conta com um certo grau de compensação pelos outros ramos, então nem toda lesão exige um reparo complexo com reconstrução do vaso. Se o ferimento acomete apenas um vaso, e o membro ainda mantém perfusão adequada pelos demais troncos, a solução pode ser simplesmente ocluir definitivamente o vaso lesado com sutura hemostática. Em outras palavras: se um dos canais foi rompido, mas os outros continuam irrigando o território, você não precisa “refazer a estrada inteira”. Esse raciocínio é coerente com a prática do trauma vascular: a prioridade é controlar o sangramento e preservar a perfusão distal. Revascularização formal costuma ser reservada para situações em que a perda de fluxo compromete a viabilidade do membro, especialmente quando há múltiplos vasos acometidos ou sinais de isquemia importante. Por isso, o gabarito B está correto. Em uma lesão abaixo da trifurcação com acometimento de apenas um vaso, a abordagem adequada é a oclusão definitiva por meio de suturas hemostáticas, e não uma revascularização obrigatória do membro.