Uma mulher de 48 anos relata ganho de peso desde os 45 anos, além de alterações de humor, diminuição da libido, insônia e dores articulares difusas e fogachos há 1 ano. Relata ciclos menstruais presentes, porém chega a ficar até 2 meses sem menstruar. Nega cirurgias prévias. Tem uma prima materna de segundo grau com câncer de mama curado. Nesse caso, quanto à terapia de reposição hormonal, deve-se:
- A)iniciar tibolona via oral e estriol creme vaginal
Errada, porque tibolona não é a melhor escolha obrigatória aqui e o estriol vaginal trata sintomas locais, não resolve adequadamente o quadro sistêmico da paciente.
- B)contraindicá-la, devido antecedente familiar de neoplasia de mama
Errada, porque antecedente familiar isolado de câncer de mama não é contraindicação absoluta para terapia de reposição hormonal.
- C)indicar 17-beta-estradiol transdérmico e progesterona micronizada via oral
Certa, porque há sintomas de climatério/perimenopausa com útero presente, exigindo estrogênio associado a progestagênio para proteção endometrial.
- D)introduzi-la apenas daqui 1 ano com testosterona em gel e estriol creme vaginal
Errada, porque não se deve aguardar 1 ano para tratar sintomas importantes, e testosterona em gel não é esquema padrão de primeira linha para esse cenário.
Gabarito: C
Essa questão cobra terapia hormonal na transição menopausal, ou perimenopausa. A paciente tem sintomas típicos de hipoestrogenismo, como fogachos, insônia, alteração de humor, redução da libido e dores articulares, mas ainda menstrua de forma irregular. Isso indica que ela ainda pode ovular ocasionalmente, então não é uma pós-menopausa instalada e a conduta precisa respeitar se o útero está presente. Quando a mulher tem útero, não se deve prescrever estrogênio isolado de forma sistêmica, porque isso aumenta o risco de hiperplasia e câncer de endométrio. Por isso, a reposição deve combinar estrogênio com progestagênio. Entre as opções clássicas, o 17-beta-estradiol transdérmico é uma boa escolha, porque tende a ter menor risco trombótico do que a via oral, e a progesterona micronizada protege o endométrio. O antecedente familiar de câncer de mama, por si só, não contraindica a terapia hormonal. O que pesa de verdade são histórico pessoal de câncer de mama, tromboembolismo, doença hepática ativa, sangramento uterino sem diagnóstico e outras contraindicações formais. Ter uma prima materna de segundo grau curada não basta para barrar o tratamento. Por isso, o gabarito é a letra C: estrogênio transdérmico associado a progesterona. Em prova, pense assim: útero presente + sintomas climatéricos = reposição pode ser feita, mas com proteção endometrial.