A doença isquêmica do coração, também conhecida como doença coronariana, é o termo utilizado para indicar suprimento de sangue inadequado para o miocárdio devido à obstrução das artérias coronárias epicárdicas, geralmente por aterosclerose. Sobre o tratamento da doença coronariana crônica, marque a alternativa que apresenta uma prescrição incorreta:
- A)Prescreve-se o uso de hipolipemiantes – como estatinas, fibratos, e ezetimibe – para diminuição de LDL, juntamente com mudança de estilo de vida
Correta, pois estatinas e outros hipolipemiantes, junto com mudança de estilo de vida, são pilares para reduzir LDL e risco cardiovascular.
- B)Prescreve-se o uso de bloqueadores beta-adrenérgicos como fármacos de primeira linha, já que diminuem a frequência cardíaca e a contratilidade miocárdica
Correta, porque os betabloqueadores são fármacos de primeira linha na angina estável e diminuem frequência cardíaca e contratilidade miocárdica.
- C)Nitratos devem ser evitados em pacientes com cardiomiopatia hipertrófica e em suspeita de infarto de ventrículo esquerdo, pelo risco de hipotensão
Errada, pois os nitratos devem ser evitados na cardiomiopatia hipertrófica e no infarto de ventrículo direito, e não no infarto de ventrículo esquerdo.
- D)Nifedipino deve ser evitado, a não ser que seja usado em conjunto com betabloqueador, já que pode aumentar mortalidade pós-infarto do miocárdio
Correta, porque a nifedipina de ação curta deve ser evitada isoladamente, já que pode aumentar mortalidade pós-infarto; se usada, costuma ser com betabloqueador.
Gabarito: C
Na doença coronariana crônica, o objetivo do tratamento é simples de lembrar: aliviar sintomas, reduzir risco de infarto e prolongar a vida. Para isso, entram medidas de estilo de vida, controle de fatores de risco e medicamentos como estatinas, antianginosos e, em muitos casos, betabloqueadores e antiagregantes conforme o perfil do paciente. As estatinas são a base para reduzir LDL e estabilizar placa aterosclerótica, então a ideia da alternativa A está bem alinhada com a prática clínica. Os betabloqueadores também são muito cobrados porque diminuem frequência cardíaca e contratilidade, o que reduz consumo de oxigênio pelo miocárdio. É aquele remédio que faz o coração trabalhar sem entrar em modo “correria”. Já os nitratos precisam de cuidado em situações específicas de dependência de pré-carga, como cardiomiopatia hipertrófica obstrutiva e infarto de ventrículo direito, porque podem derrubar a pressão e piorar a perfusão. O erro da alternativa C está justamente em citar infarto de ventrículo esquerdo, quando o clássico contraindicado é o de ventrículo direito. Em cardiologia, trocar um ventrículo pelo outro muda tudo. A nifedipina de ação curta é evitada na doença coronariana, especialmente após infarto, por poder aumentar mortalidade por reflexo simpático, sendo preferível associá-la a betabloqueador quando indicada. Portanto, a questão cobra um detalhe fino de farmacologia cardiovascular: o cuidado com nitratos não é no infarto de ventrículo esquerdo, e sim em cenários como ventrículo direito e cardiomiopatia hipertrófica.