Você atende, na emergência, um menino de 10 anos com quadro de dor testicular e aumento de volume no escroto há cerca de uma semana. No exame físico, nota-se uma massa palpável discretamente dolorosa, firme e não aderida à pele. A ultrassonografia escrotal confirma a presença de uma massa testicular hipoecóica, e os testes laboratoriais mostram níveis elevados de alfa-fetoproteína (AFP). Assinale a afirmativa correta acerca da abordagem diagnóstica e o manejo mais apropriados para esse paciente.
- A)Realizar uma biópsia da massa testicular para confirmar o tipo histológico do tumor.
Errada: biópsia escrotal de massa testicular é contraindicada, pois pode disseminar tumor e prejudicar o estadiamento.
- B)Iniciar tratamento com quimioterapia, uma vez que a alfa-fetoproteína está elevada.
Errada: AFP elevada sugere tumor germinativo, mas o tratamento inicial não é quimioterapia isolada; primeiro é necessário ressecção cirúrgica adequada.
- C)Realizar a orquiectomia radical do testículo afetado como abordagem inicial.
Certa: a abordagem inicial de massa testicular suspeita em criança é orquiectomia radical por via inguinal, com diagnóstico anatomopatológico do espécime.
- D)Prescrever antibióticos orais para tratar uma possível orquite.
Errada: o quadro não é típico de orquite bacteriana, e antibiótico oral não trata massa testicular sólida com AFP elevada.
Gabarito: C
Em criança e adolescente, massa testicular sólida não é caso para “esperar para ver”. Quando a ultrassonografia mostra lesão intratesticular hipoecóica e a alfa-fetoproteína (AFP) vem elevada, a suspeita de tumor germinativo fica forte, especialmente o tumor do seio endodérmico (yolk sac tumor), que é o mais comum nessa faixa etária. Nessa situação, a conduta inicial correta é a orquiectomia radical por via inguinal, que serve ao mesmo tempo para tratar e para confirmar o diagnóstico anatomopatológico. A biópsia escrotal da massa deve ser evitada, porque pode semear células tumorais e alterar o padrão de drenagem linfática, atrapalhando o estadiamento e o controle oncológico. A AFP elevada ajuda muito no raciocínio, mas não substitui o passo cirúrgico inicial. Depois da retirada do testículo afetado, a equipe define o restante do manejo conforme histologia, estadiamento e marcadores tumorais, podendo incluir quimioterapia em alguns casos. Ou seja: primeiro tira-se o foco cirúrgico de forma adequada, depois se refina a estratégia. Antibiótico também não resolve, porque o quadro não sugere orquite infecciosa: há massa firme, intratesticular, com marcador tumoral alterado e imagem compatível com neoplasia. Em resumo, quando o escroto “aponta para tumor”, não vale tratar como inflamação nem biopsiar por fora: a porta de entrada é a orquiectomia inguinal radical.