← Questões de Medicina

Medicina · Rede Sarah · 2025

Questão comentada de Medicina

Você atende, na emergência, um menino de 10 anos com quadro de dor testicular e aumento de volume no escroto há cerca de uma semana. No exame físico, nota-se uma massa palpável discretamente dolorosa, firme e não aderida à pele. A ultrassonografia escrotal confirma a presença de uma massa testicular hipoecóica, e os testes laboratoriais mostram níveis elevados de alfa-fetoproteína (AFP). Assinale a afirmativa correta acerca da abordagem diagnóstica e o manejo mais apropriados para esse paciente.

Gabarito: C

Em criança e adolescente, massa testicular sólida não é caso para “esperar para ver”. Quando a ultrassonografia mostra lesão intratesticular hipoecóica e a alfa-fetoproteína (AFP) vem elevada, a suspeita de tumor germinativo fica forte, especialmente o tumor do seio endodérmico (yolk sac tumor), que é o mais comum nessa faixa etária. Nessa situação, a conduta inicial correta é a orquiectomia radical por via inguinal, que serve ao mesmo tempo para tratar e para confirmar o diagnóstico anatomopatológico. A biópsia escrotal da massa deve ser evitada, porque pode semear células tumorais e alterar o padrão de drenagem linfática, atrapalhando o estadiamento e o controle oncológico. A AFP elevada ajuda muito no raciocínio, mas não substitui o passo cirúrgico inicial. Depois da retirada do testículo afetado, a equipe define o restante do manejo conforme histologia, estadiamento e marcadores tumorais, podendo incluir quimioterapia em alguns casos. Ou seja: primeiro tira-se o foco cirúrgico de forma adequada, depois se refina a estratégia. Antibiótico também não resolve, porque o quadro não sugere orquite infecciosa: há massa firme, intratesticular, com marcador tumoral alterado e imagem compatível com neoplasia. Em resumo, quando o escroto “aponta para tumor”, não vale tratar como inflamação nem biopsiar por fora: a porta de entrada é a orquiectomia inguinal radical.

Continue treinando

Questões relacionadas