Assinale a alternativa correta em relação ao controle da glicemia em um idoso diabético, com um declínio cognitivo moderado a grave, doenças crônicas em estágio avançado e pelo menos duas atividades para as atividades instrumentais comprometidas.
- A)Meta de hemoglobina glicada: 7,0 a 7,5%, o foco do tratamento deve ser o de evitar a hipoglicemia, considere a prescrição de glitazona para o controle da glicemia.
Errada, porque a meta de HbA1c proposta é mais apertada do que o adequado para esse perfil e a glitazona não é a melhor escolha em um idoso frágil, por efeitos adversos como retenção hídrica e fraturas.
- B)Meta de hemoglobina glicada: < 8,0%, o foco do tratamento deve ser o de evitar a hiperglicemia, considere a prescrição de sulfonilureia para o controle da glicemia.
Errada, porque, embora a meta < 8,0% possa até ser aceitável em alguns idosos, o foco deveria ser evitar hipoglicemia, e sulfonilureia aumenta justamente esse risco.
- C)Descarte a hemoglobina glicada como meta do controle do diabetes mellitus, o foco do tratamento deve ser o de evitar a hiperglicemia; considere a prescrição de insulinoterapia de curta e longa ação para o controle da glicemia.
Errada, porque não se deve simplesmente descartar a HbA1c sem critério e insulinoterapia de curta e longa ação aumenta muito o risco de hipoglicemia em idoso vulnerável.
- D)Meta de hemoglobina glicada: < 8,0%, o foco do tratamento deve ser o de evitar a hiperglicemia, considere a prescrição de metiglinida para o controle da glicemia.
Errada, porque metiglinida também pode causar hipoglicemia e não é a opção mais segura para um paciente com declínio cognitivo e fragilidade avançada.
- E)Descarte a hemoglobina glicada como meta do controle do diabetes mellitus, o foco do tratamento deve ser o de evitar a hipoglicemia, considere a prescrição de biguanidas para o controle da glicemia.
Certa, porque nesse quadro o alvo principal é segurança, com prioridade para evitar hipoglicemia, e a biguanida é uma opção de menor risco glicêmico se não houver contraindicação.
Gabarito: E
Em idosos com declínio cognitivo moderado a grave, doenças crônicas avançadas e perda funcional importante, o raciocínio muda bastante: aqui você não quer "apertar" o diabetes, e sim evitar danos. Nessa situação, a meta de hemoglobina glicada perde valor como alvo principal, porque ela pode não refletir bem a prioridade clínica do momento, que é prevenir hipoglicemia e também sintomas de hiperglicemia. A lógica é simples: quanto mais frágil o paciente, maior o risco de a medicação causar mais estrago do que benefício. Por isso, a conduta deve ser mais conservadora, com esquemas de baixo risco de hipoglicemia. A biguanida, especialmente a metformina, é a classe clássica lembrada nesse contexto por não induzir hipoglicemia isoladamente, desde que não haja contraindicações como insuficiência renal importante, hipóxia ou instabilidade clínica. Esse raciocínio é alinhado às diretrizes da American Diabetes Association para idosos, que recomendam metas menos rígidas ou até a despriorização da HbA1c em pacientes com saúde muito complexa/ruim, priorizando segurança e qualidade de vida. Em outras palavras, o objetivo não é deixar a glicemia "bonita no papel", e sim manter o paciente estável e sem hipoglicemia, que em idoso pode virar queda, confusão e internação rapidinho. Por isso, a alternativa E é a correta: ela abandona a HbA1c como meta central, enfatiza evitar hipoglicemia e aponta uma classe medicamentosa compatível com esse perfil de fragilidade.