A respeito das indicações e dos resultados das técnicas endovascular e aberta para a correção do aneurisma de aorta infrarrenal, assinale a alternativa correta.
- A)A indicação de correção é mais liberal para a técnica endovascular, tendo em vista que, à medida que o aneurisma cresce, há a perda da extensão de colo. Sendo assim, com o intuito de ancorar a prótese em segmento infrarrenal, há benefício na indicação de AAA < 5.5 cm.
Errada: a indicação de reparo não é mais liberal só por ser endovascular, e a EVAR depende de anatomia favorável do colo e dos acessos, não de ampliar o critério de diâmetro abaixo do usual.
- B)Em relação à mortalidade, o principal benefício da técnica endovascular ocorre até os seis primeiros meses após a cirurgia.
Certa: a EVAR oferece benefício de mortalidade principalmente no período inicial após a cirurgia, com a vantagem mais evidente nos primeiros meses.
- C)Uma das principais limitações ao método endovascular diz respeito aos acessos, já que não há disponibilidade de dispositivos dedicados a diâmetros de ilíaca externa ≤ 7 mm.
Errada: a limitação de acesso existe, mas a afirmação é imprecisa e absoluta demais, porque há estratégias alternativas e a barreira anatômica não é descrita assim de forma universal.
- D)Ambas as técnicas são seguras, de modo que a sobrevida livre de reintervenção é semelhante entre os métodos.
Errada: a sobrevida livre de reintervenção não é semelhante, pois a EVAR costuma exigir mais reintervenções do que a cirurgia aberta no seguimento.
- E)Comparativamente, em longo prazo, a técnica endovascular é superior à cirurgia aberta no que diz respeito à degeneração de aorta suprarrenal e à incidência de pseudoaneurismas justarrenais.
Errada: no longo prazo a EVAR não é superior à cirurgia aberta quanto às complicações tardias; em geral, a durabilidade anatômica favorece a técnica aberta.
Gabarito: B
No aneurisma de aorta abdominal infrarrenal, a decisão de operar costuma levar em conta principalmente o diâmetro, os sintomas e a velocidade de crescimento. Em linhas gerais, o ponto clássico de indicação em homem assintomático gira em torno de 5,5 cm, com ajustes em situações específicas. A cirurgia aberta e a técnica endovascular (EVAR) corrigem o aneurisma, mas cada uma tem seu perfil: a endovascular costuma “ganhar no começo”, enquanto a aberta tende a ser mais durável no longo prazo. É aí que mora a graça da questão. A EVAR reduz o trauma cirúrgico e costuma trazer menor mortalidade perioperatória e menor morbidade inicial. Nos grandes estudos comparativos, como EVAR-1, DREAM e OVER, esse benefício é mais evidente nos primeiros meses após a cirurgia, justamente porque o procedimento é menos agressivo. Depois desse período, a vantagem em sobrevida desaparece ou fica muito pequena. Por outro lado, a EVAR cobra seu preço com mais reintervenções e necessidade de seguimento rigoroso por imagem, já que podem surgir endoleaks, migração da prótese e outras complicações tardias. Então, a ideia central é: menor risco logo de saída, mas manutenção mais “ciumenta” depois. A cirurgia aberta, embora mais invasiva, costuma ser mais estável a longo prazo. Por isso, o gabarito B está correto: o principal benefício da técnica endovascular em relação à mortalidade ocorre no pós-operatório precoce, especialmente nos primeiros seis meses. Em prova, quando a banca fala em EVAR, pense em “vantagem inicial” e “custo tardio em reintervenções”.