Durante a sedação com Propofol em infusão continua a 3 mg/kg/h de um procedimento oftalmológico, durante a manipulação cirúrgica do globo ocular, em um paciente jovem de 38 anos de idade, 1,70 m, 70 kg, sem comorbidades prévias, sem uso de medicação contínua e sem alergias, o paciente tenha desenvolvido bradicardia transitória sem repercussão hemodinâmica. A bradicardia está, provavelmente, relacionada a(ao)
- A)uma sobredosagem do Propofol e consequente bradicardia.
Errada, porque o propofol pode causar bradicardia, mas o quadro descrito é típico de reflexo vagal desencadeado pela manipulação ocular, não de sobredosagem.
- B)reflexo de Bezold‑jarisch com a via neuronal aferente e eferente efetuadas pelo nervo vago (X).
Errada, porque o reflexo de Bezold-Jarisch envolve principalmente receptores cardiovasculares e não é o mecanismo clássico da bradicardia durante cirurgia ocular.
- C)reflexo oculocardíaco com a via neuronal aferente efetuada pelo nervo trigêmeo (V) e a via eferente efetuada pelo nervo vago (X).
Certa, porque o reflexo oculocardíaco tem via aferente pelo trigêmeo (V) e via eferente pelo vago (X), causando bradicardia após estímulo ocular.
- D)reflexo oculocardíaco com a via neuronal aferente efetuada pelo nervo oculomotor (III) e a via eferente efetuada pelo nervo vago (X).
Errada, porque o nervo oculomotor (III) não faz a via aferente do reflexo oculocardíaco; a aferência correta é pelo trigêmeo.
- E)reflexo oculocardíaco com a via neuronal aferente efetuada pelo nervo troclear (IV) e a via eferente efetuada pelo nervo vago (X).
Errada, porque o nervo troclear (IV) não é a via aferente do reflexo oculocardíaco; novamente, a aferência é pelo trigêmeo.
Gabarito: C
Na cirurgia ocular, é bem comum aparecer bradicardia transitória por causa de um reflexo vagal desencadeado pela manipulação do globo ocular. Isso acontece principalmente em procedimentos oftalmológicos, especialmente quando há tração do olho ou pressão sobre estruturas oculares durante a cirurgia. Em um paciente jovem e sem doença prévia, com bradicardia sem repercussão hemodinâmica, o cenário clássico é mesmo reflexo oculocardíaco, e não uma intoxicação pelo anestésico. O reflexo oculocardíaco tem via aferente pelo nervo trigêmeo (V), que leva o estímulo da órbita e do globo ocular ao tronco encefálico, e via eferente pelo nervo vago (X), que reduz a frequência cardíaca. Em outras palavras: o olho é mexido, o vago responde e o coração desacelera. É um reflexo conhecido, esperado e descrito em anestesiologia e oftalmologia. Já o propofol pode, sim, causar bradicardia, porque ele deprime o sistema cardiovascular, mas a questão destaca a ocorrência durante a manipulação cirúrgica do globo ocular, o que aponta muito mais para o reflexo oculocardíaco do que para sobredosagem do fármaco. A pista temporal aqui é a chave: não é o remédio em geral, é o estímulo cirúrgico local. Em provas, a banca costuma cobrar o arco reflexo com precisão anatômica. O detalhe que derruba muita gente é confundir o nervo aferente: no reflexo oculocardíaco, ele é o trigêmeo, e não o oculomotor, o troclear ou o vago. A resposta correta, portanto, é a que descreve trigêmeo na via aferente e vago na eferente.