Uma jovem de 25 anos é atendida na UPA com relato de febre de início súbito, dor retro-ocular, mialgia e artralgia intensa há 04 dias. Foram solicitados exames laboratoriais, com os seguintes resultados: Hematócrito 10% acima do normal, leucócitos de 3500/mm3 e plaquetas de 100.000/mm3. Ao exame físico, febril ao toque, exantema em região torácica e prova do laço positiva. Paciente iniciou hidratação oral e analgésicos com melhoras dos sintomas álgicos. Qual a doença relativa ao caso?
- A)Dengue grave.
Errada, porque dengue grave exige sinais de gravidade, como choque, sangramento importante ou acometimento de órgãos, o que não aparece no caso.
- B)Dengue clássica.
Certa, pois o quadro é de dengue sintomática sem sinais de alarme ou critérios de gravidade, com febre, exantema, mialgia, artralgia, leucopenia e plaquetopenia leves.
- C)Dengue com sinais de alarme.
Errada, porque não há sinais de alarme, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes, letargia, sangramento de mucosa ou aumento progressivo do hematócrito com piora clínica.
- D)Dengue hemorrágica.
Errada, porque dengue hemorrágica exigia, na classificação clássica, sangramento e evidência de extravasamento plasmático, geralmente com hematócrito bem mais elevado do que o descrito.
Gabarito: B
O quadro é bem típico de dengue na forma clássica: febre de início súbito, dor retro-ocular, mialgia, artralgia, exantema, leucopenia e plaquetopenia. A prova do laço positiva também reforça o diagnóstico, porque mostra fragilidade capilar, algo muito lembrado nas arboviroses, mas não define gravidade sozinha. O ponto-chave aqui é que não há sinais de alarme nem critérios de dengue grave. A paciente melhorou com hidratação oral e analgésicos, sem relato de sangramento importante, hipotensão, choque, desconforto respiratório, dor abdominal intensa, vômitos persistentes ou comprometimento de órgãos. Então não dá para subir a régua da classificação. Na lógica clássica cobrada em prova, dengue clássica é a forma sintomática com febre e sintomas gerais, podendo haver exantema, leucopenia e plaquetopenia, mas sem extravasamento plasmático importante nem manifestações graves. Já a dengue hemorrágica exigia, nas classificações antigas, febre, sangramento, plaquetopenia e evidência de extravasamento plasmático, como aumento do hematócrito acima de 20% ou derrames cavitários. Aqui aparece hematócrito 10% acima do normal, o que pode até sugerir atenção, mas isoladamente não fecha extravasamento plasmático significativo. Por isso, o gabarito correto é a alternativa B: dengue clássica.