Em relação às infecções urinárias na infância, assinale a alternativa INCORRETA:
- A)Em relação à coleta de urina por saco coletor, vários estudos mostram resultados falsos positivos em até 80% dos casos e, portanto, os resultados só devem ser valorizados quando a cultura resultar negativa.
Correta: a urina por saco coletor tem alta taxa de falso-positivo por contaminação, então uma cultura positiva isolada não é confiável.
- B)Na criança que apresenta controle esfincteriano, deve-se sempre coletar a urina através de sondagem urinária.
Errada: na criança com controle esfincteriano, a coleta de rotina é por jato médio após assepsia, e não obrigatoriamente por sondagem.
- C)Na criança que apresenta controle esfincteriano deve-se coletar urina de jato médio, após assepsia prévia.
Correta: em criança continente, a urina de jato médio com higiene prévia é o método preferido para reduzir contaminação.
- D)O exame de urina não substitui a urocultura no diagnóstico de ITU, mas pode apresentar alterações permitindo iniciar precocemente o tratamento, já que resultados da cultura demoram 24 a 72 horas para serem obtidos.
Correta: o exame de urina ajuda na suspeita e no início do tratamento, mas a urocultura é o exame confirmatório e demora para ficar pronta.
Gabarito: B
Infecção urinária na infância exige atenção porque o modo de colher a urina muda bastante a confiabilidade do exame. Em bebê e lactente, a urina por saco coletor pode servir para triagem, mas a taxa de contaminação é alta, então o valor de cultura positiva é ruim. Já na criança que consegue controlar o esfíncter, o ideal é colher urina de jato médio, após higiene local, porque isso reduz a contaminação e ajuda a interpretar melhor o resultado. O ponto-chave é lembrar que exame de urina e urocultura não são a mesma coisa. O EAS/urina tipo 1 pode mostrar leucócitos, nitrito e piúria, sugerindo infecção e permitindo iniciar conduta mais cedo, mas a confirmação é pela urocultura, que demora algumas horas ou até 1 a 3 dias conforme o laboratório. Ou seja: o exame ajuda a suspeitar, a cultura confirma. A alternativa B está incorreta porque, na criança com controle esfincteriano, não se deve sempre usar sondagem urinária. A sondagem é reservada para situações específicas, quando a coleta de jato médio não é possível ou não é confiável. Se a criança consegue urinar voluntariamente, a coleta por jato médio é o método preferido. Em prova, guarde esta lógica: quanto melhor o controle da micção, mais você consegue usar técnica menos invasiva e mais limpa. Quanto menor a criança e maior a dificuldade de coleta, mais a técnica muda, sempre buscando reduzir contaminação e evitar diagnóstico falso.