Uma adolescente de 14 anos foi diagnosticada com hepatite viral há 1 ano confirmada sorologicamente . Apresentou boa evolução na fase aguda da doença. No controle ambulatorial na Unidade de Saúde, seus exames sorológicos mostraram Anti-HBC IgG positivo, HBsAg negativo, Anti-HBs positivo e Anti- -HBc positivo. A conduta a seguir deve ser
- A)Repetir sorologias em 6 meses.
Errada, porque a sorologia já esclarece o quadro como infecção passada resolvida, sem necessidade de esperar novos exames.
- B)Considerar como cura da Hepatite B.
Certa, porque HBsAg negativo com anti-HBs e anti-HBc IgG positivos indica hepatite B pregressa curada e imunidade adquirida.
- C)Iniciar tratamento com Interferon para Hepatite B crônica.
Errada, porque interferon é usado em cenários de hepatite B crônica ativa, e não em paciente com sorologia de cura.
- D)Conformar diagnóstico de cronificação com biópsia hepática.
Errada, porque biópsia hepática não é necessária para confirmar cronificação quando os marcadores já mostram resolução da infecção.
- E)Risco de evolução para Hepatite B fulminante.
Errada, porque o padrão sorológico não aponta para gravidade fulminante, e sim para infecção antiga já resolvida.
Gabarito: B
A interpretação da sorologia para hepatite B é uma das queridinhas da banca porque muda tudo com poucos marcadores. Quando voce vê HBsAg negativo, isso afasta infecção ativa, e quando aparece anti-HBs positivo junto com anti-HBc positivo, o quadro aponta para infecção passada, com resolução espontânea e imunidade adquirida. Em outras palavras: o vírus foi eliminado e o organismo ficou “lembrando” dele. O detalhe que mata a questão é o anti-HBc IgG positivo. Esse marcador mostra contato prévio com o vírus da hepatite B, e não vacinação. Se fosse apenas anti-HBs positivo sem anti-HBc, pensaríamos em imunidade vacinal. Como aqui há anti-HBc e HBsAg negativo, o raciocínio é de hepatite B pregressa curada. Na prática, não há indicação de repetir sorologias para “ver se pega”, nem de tratar como hepatite crônica. Interferon e biópsia hepática entram na discussão de doença ativa e crônica, o que não é o caso. A conduta correta, portanto, é considerar como cura da hepatite B, com imunidade adquirida após a infecção. Resumo de prova: HBsAg positivo sugere infecção em curso; anti-HBs positivo sugere imunidade; anti-HBc IgG positivo denuncia contato prévio com o vírus. Juntando tudo, o quadro é de hepatite B resolvida. Essa leitura é a base dos algoritmos sorológicos usados em hepatologia e infectologia.