Assinale a opção que apresenta o tratamento correto para o paciente DPOC internado com exacerbação do quadro clínico.
- A)A suspensão obrigatória de agentes de agonistas beta de ação prolongada (LABAs) e/ ou agentes muscarínicos de ação prolongada (LAMAs).
Errada, porque LABA e LAMA não precisam ser suspensos obrigatoriamente na exacerbação; a conduta é individualizar e manter broncodilatadores conforme a situação clínica.
- B)Um teste inicial de ventilação não invasiva (VNI) apenas nos pacientes com PaCO2 7,35.
Errada, porque a VNI é indicada sobretudo na exacerbação com acidose respiratória e/ou hipercapnia, não apenas em pacientes com PaCO2 7,35.
- C)O uso preferencial de dispositivos inalatórios, por serem comprovadamente superiores à nebulização.
Errada, porque dispositivos inalatórios não são comprovadamente superiores à nebulização em todos os casos; a escolha depende do estado clínico e da capacidade de uso do paciente.
- D)A administração de oxigênio suplementar, visando à saturação de O2 de 88 a 92% com PaO2 de aproximadamente 60 a 70 mmHg.
Certa, porque a oxigenoterapia na exacerbação da DPOC deve ser titulada para saturação de 88% a 92%, geralmente com PaO2 em torno de 60 a 70 mmHg.
- E)O uso de corticoide sob a forma de dexametasona em altas doses por 1 mês.
Errada, porque corticoide sistêmico é usado por curto período e em dose usual, não com dexametasona em altas doses por 1 mês.
Gabarito: D
Na exacerbação da DPOC, o objetivo inicial é simples: tirar o paciente da crise sem piorar a retenção de CO2. Por isso, o oxigênio deve ser usado com cuidado, em baixo fluxo ou titulado, mirando saturação entre 88% e 92%, o que costuma corresponder a uma PaO2 em torno de 60 a 70 mmHg. Em DPOC descompensado, oxigênio demais pode ser um problema, porque pode aumentar a hipercapnia em pacientes suscetíveis. Além do oxigênio, o tratamento costuma incluir broncodilatador de curta ação, corticoide sistêmico por curto período e, quando indicado, antibiótico. Se houver desconforto respiratório importante, acidose respiratória ou sinais de fadiga ventilatória, a ventilação não invasiva entra como grande aliada e reduz intubação e mortalidade em muitos casos. Ou seja: na crise, você trata a ventilação, não apenas o chiado. A alternativa correta é a D porque ela descreve exatamente a meta usual de oxigenoterapia na exacerbação da DPOC: saturação de 88% a 92%, evitando hiperóxia. Isso está em linha com diretrizes amplamente aceitas, como as recomendações GOLD e a prática consolidada em medicina intensiva e pneumologia. As demais opções tentam te confundir com afirmações absolutas ou invertidas. Em prova, desconfie de "sempre", "obrigatório" e "apenas". Na DPOC aguda, o raciocínio é mais fino: pouco oxigênio pode faltar, muito oxigênio pode atrapalhar. O meio termo aqui é o que salva ponto.