Paciente do sexo feminino, 26 anos de idade, busca atendimento médico na Unidade Básica de Saúde e relata que, há mais de 6 meses, vem sentindo dor na parede abdominal anterior abaixo da cicatriz umbilical. Refere também dispareunia, disquezia e dismenorreia. Nega sangramentos irregulares durante o ciclo ou após as relações sexuais. Ao ser questionada, conta que, desde os 20 anos, apresentou sensibilidade dolorosa na parede pélvica, mas que nunca procurou atendimento por vergonha e questões pessoais. Em relação ao caso descrito acima, assinalar a alternativa CORRETA.
- A)O caso trata-se de doença inflamatória pélvica (DIP), mesmo a paciente não apresentando como sintoma sangramentos irregulares durante o ciclo e após as relações sexuais, que é considerado o sintoma mais sensível para DIP.
Errada, porque os achados descritos apontam mais para dor pélvica crônica por endometriose do que para DIP, e sangramento irregular não é o sintoma mais sensível para essa doença.
- B)Por se tratar de um caso de dor pélvica crônica, ao passo em que não se identificam áreas dolorosas ou a presença de massas na investigação, pode-se excluir uma patologia intra-abdominal como causa.
Errada, porque a ausência de massa ou ponto doloroso no exame não exclui patologia intra-abdominal, especialmente causas como endometriose.
- C)Entre as doenças ginecológicas mais frequentemente associadas à dor pélvica crônica estão a endometriose, a adenomiose, as aderências e a miomatose.
Certa, porque endometriose, adenomiose, aderências e miomatose estão entre as causas ginecológicas mais frequentes de dor pélvica crônica.
- D)Por se tratar de uma doença sexualmente transmissível, a solicitação de sorologias é feita rotineiramente em mulheres com DIP. Homens que tiveram contato sexual, nos últimos 60 dias, com mulheres com diagnóstico de DIP não necessitam de avaliação, testagem e tratamento.
Errada, porque em DIP a avaliação de parceiros sexuais é indicada, incluindo testagem e tratamento conforme a exposição recente, e a conduta não se limita a sorologias da mulher.
- E)Ao ter como hipótese diagnóstica uma provável doença pélvica crônica de causa ginecológica, o uso terapêutico com medicações hormonais não tem a capacidade de auxiliar no diagnóstico, uma vez que essas patologias não apresentam modificações do perfil doloroso com o uso de medicamentos hormonais.
Errada, porque o uso de hormônios pode sim ajudar tanto no tratamento quanto na suspeita diagnóstica, já que essas doenças costumam responder com melhora do padrão doloroso.
Gabarito: C
O quadro descrito é muito sugestivo de dor pélvica crônica, especialmente com sinais clássicos de endometriose: dismenorreia, dispareunia e disquezia. Quando a paciente conta que a dor vem há meses e já existia, de forma recorrente, desde os 20 anos, isso reforça um processo crônico e não algo agudo e infeccioso. Em ginecologia, essa tríade costuma acender a luz amarela para endometriose como principal hipótese. A endometriose é uma doença em que tecido semelhante ao endométrio aparece fora do útero, gerando inflamação, dor e, muitas vezes, impacto na vida sexual e intestinal. Ela pode causar aderências e acometer estruturas pélvicas profundas, o que explica a dor na relação sexual e a dor para evacuar. Nem sempre há sangramento uterino anormal, então a ausência de sangramento irregular não afasta o diagnóstico. O item C está correto porque essas são, de fato, algumas das doenças ginecológicas mais associadas à dor pélvica crônica: endometriose, adenomiose, aderências e miomatose. Elas são causas clássicas em provas porque produzem dor recorrente, podendo piorar no período menstrual ou durante a relação sexual. É o famoso grupo que faz a paciente sofrer e a prova adorar. Como pano de fundo, a abordagem clínica da dor pélvica crônica deve ser ampla, considerando causas ginecológicas, urinárias, intestinais, musculoesqueléticas e até psicossociais. Mas, quando o enunciado traz dismenorreia, dispareunia e disquezia, a banca geralmente está guiando você para endometriose como hipótese forte dentro desse conjunto.