A complicação mais comum da primeira metade da gestação é a interrupção da gravidez antes de sua viabilidade, com feto pesando menos do que 500 gramas. Em relação ao abortamento e seus diagnósticos diferenciais, NÃO é um diagnóstico diferencial para abortamento nos quadros de sangramento do primeiro trimestre de gestação:
- A)Descolamento prematuro de placenta.
Errada, porque o descolamento prematuro de placenta é típico do segundo ou terceiro trimestre, não do primeiro.
- B)Doença trofoblástica gestacional.
Certa como diferencial de sangramento no primeiro trimestre, pois a doença trofoblástica gestacional pode causar sangramento precoce.
- C)Gestação ectópica.
Certa como diferencial, já que a gestação ectópica é uma causa clássica de sangramento no início da gestação.
- D)Sangramento não obstétrico (lesão cervical, vaginal ou uterina).
Certa como diferencial, porque sangramentos de origem cervical, vaginal ou uterina podem simular abortamento.
- E)Hematoma subcoriônico.
Certa como diferencial, pois o hematoma subcoriônico pode causar sangramento no primeiro trimestre.
Gabarito: A
No sangramento do primeiro trimestre, a ideia é pensar primeiro nas causas obstétricas mais comuns: abortamento, gestação ectópica, doença trofoblástica gestacional e também situações benignas como hematoma subcoriônico. Além disso, sempre vale lembrar que o sangramento pode nem ser de origem ginecológica-obstétrica, como nas lesões do colo, da vagina ou do útero. O ponto-chave aqui é o tempo gestacional. O descolamento prematuro de placenta é uma complicação típica da segunda metade da gestação, geralmente associada a dor abdominal e sangramento após a formação placentária já estar bem estabelecida. Por isso, ele não entra como diagnóstico diferencial de sangramento do primeiro trimestre. É o tipo de alternativa que tenta confundir pela palavra 'sangramento', mas o relógio da gestação entrega a resposta. Já a gestação ectópica é clássica no primeiro trimestre e deve ser sempre lembrada, porque pode cursar com sangramento e dor, além de risco de ruptura. A doença trofoblástica gestacional também pode se manifestar cedo, com sangramento uterino anormal e beta-hCG desproporcionalmente alto. Na prática, o raciocínio é: primeiro trimestre com sangramento pede pensar em abortamento e seus diferenciais imediatos, não nas complicações placentárias do fim da gestação. A obstetrícia adora uma pegadinha temporal, então o segredo é localizar bem a fase da gravidez antes de fechar o diagnóstico.