Paciente proveniente da UTI, com síndrome hepatorrenal, vem ao bloco cirúrgico para ser submetido à laparatomia exploradora. Qual dos fármacos abaixo provavelmente teria seu metabolismo afetado nesse paciente?
- A)Esmolol.
Errada: o esmolol é metabolizado rapidamente por esterases plasmáticas, com pouca dependência de fígado e rim.
- B)Atracúrio.
Errada: o atracúrio sofre degradação por eliminação de Hofmann e hidrólise, quase independente da função hepática e renal.
- C)Succnilcolina.
Errada: a succinilcolina é hidrolisada principalmente pela pseudocolinesterase plasmática, não sendo o alvo clássico dessa alteração.
- D)Vecurônio.
Certa: o vecurônio tem metabolismo hepático e eliminação biliar/renal de metabólitos, podendo ter efeito prolongado na síndrome hepatorrenal.
- E)Propofol.
Errada: o propofol é metabolizado sobretudo no fígado, mas a banca costuma focar, neste contexto, em fármacos cuja depuração fica claramente comprometida na disfunção hepatorrenal.
Gabarito: D
Na anestesiologia, o que mais cai aqui é pensar em como o fígado e o rim participam do destino dos fármacos. Em um paciente com síndrome hepatorrenal, a depuração de medicamentos que dependem de metabolismo hepático e/ou excreção renal pode ficar bem prejudicada, prolongando efeito e aumentando risco de acúmulo. O vecurônio é um bloqueador neuromuscular não despolarizante que sofre metabolismo hepático e também tem eliminação biliar e renal de seus metabólitos. Por isso, em insuficiência hepática e renal, ele tende a ter efeito prolongado e metabolismo alterado. É exatamente o tipo de droga que merece atenção extra no bloco cirúrgico. Já o atracúrio é o “aluno exemplar” dessa turma: ele é degradado principalmente por eliminação de Hofmann e hidrólise por esterases plasmáticas, com pouca dependência de fígado e rim. Esmolol também tem metabolismo por esterases plasmáticas, e a succinilcolina é rapidamente hidrolisada pela pseudocolinesterase. O propofol tem metabolismo predominantemente hepático, mas a questão costuma cobrar mais classicamente o bloqueador neuromuscular com eliminação comprometida no hepatorrenal. Resumo de prova: quando o paciente tem falência hepática e renal, desconfie de fármacos com metabolismo/excreção por esses órgãos. Aqui, o melhor encaixe é o vecurônio, porque seu comportamento farmacocinético fica alterado nesse contexto.