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Medicina · OBJETIVA · 2023

Questão comentada de Medicina

Doentes traumatizados graves invariavelmente trazem dificuldades para o cirurgião que conduz o caso. O controle do doente após a cirurgia de controle de danos é tão ou mais importante do que o procedimento cirúrgico em si. Esse controle começa na sala operatória, onde os componentes da tríade letal (hipotermia, acidose e coagulopatia) devem ser tratados e se mantêm na terapia intensiva. Em relação ao controle do paciente em terapia intensiva, analisar os itens abaixo: I. Uma das principais complicações da cirurgia de controle de danos é a síndrome compartimental abdominal, e, por isso, a pressão abdominal deve ser controlada na UTI. II. Após a avaliação inicial do paciente, os cuidados relacionados às disfunções orgânicas devem ser tomados, com atenção especial às falências respiratória, renal e cardiocirculatória. III. Para que um paciente que passou por uma cirurgia de controle de danos volte à sala cirúrgica para resolução das demais necessidades, não é necessário levar em consideração a restauração de condições fisiológicas como ausência de acidose, hipotermia ou coagulopatia, mas sim o tempo de 24 a 72 horas após a cirurgia de controle de danos. Está(ão) CORRETO(S):

Gabarito: C

Na cirurgia de controle de danos, a ideia é ganhar tempo e tirar o paciente do abismo fisiológico. Depois da cirurgia inicial, o cuidado na UTI vira peça-chave: você precisa vigiar a tríade letal e impedir que o organismo entre em espiral de piora. Por isso, monitorar a pressão intra-abdominal faz todo sentido, porque a síndrome compartimental abdominal é uma complicação importante e pode aparecer justamente nesse cenário de trauma grave e ressuscitação intensa. Além disso, o pós-operatório desses pacientes não é só “esperar melhorar”. É necessário atacar as disfunções orgânicas que surgem ou se agravam, com atenção especial para insuficiência respiratória, renal e hemodinâmica/cardiocirculatória. O manejo intensivo é contínuo e direcionado por fisiologia, não por improviso. O item III erra porque a reabordagem cirúrgica não depende apenas de contar 24 a 72 horas. Antes de voltar ao centro cirúrgico, o paciente precisa estar mais estável, com correção da acidose, hipotermia e coagulopatia. Essa é justamente a lógica do controle de danos: primeiro estabiliza o terreno, depois fecha o problema definitivo. Assim, os itens I e II estão corretos, e o III está incorreto. Por isso, o gabarito é C.

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