Sobre os métodos diagnósticos em cardiopatias congênitas, analise as proposições abaixo. I. O teste ergoespirométrico para avaliação da capacidade cardiopulmonar oferece dados como medida direta do consumo máximo de oxigênio, eficiência ventilatória, resposta pressórica, resposta cronotrópica e eventual desencadeamento de arritmias ao esforço. Testes repetidos costumam ser usados para comparações no seguimento de longo prazo, a fim de avaliar risco e definir necessidade ou não de intervenção. II. O holter é especialmente útil para a avaliação de artérias coronárias e colaterais, anomalias arteriovenosas e doenças parenquimatosas pulmonares. III. A ressonância magnética é especialmente útil para avaliações volumétricas e detecção de fibrose miocárdica. Tem sido usualmente indicada em quantificação de volume e função ventricular de VD em tetralogia de Fallot e VD sistêmico, quantificação de insuficiência pulmonar, avaliação de aneurismas, estenoses e dissecção em artérias pulmonar e aorta, além de avaliação de alterações venosas pulmonares ou sistêmicas. É correto o que se afirma em
- A)I e II, apenas.
Errada, porque a assertiva II está incorreta: holter não avalia coronárias, colaterais ou pulmões, e sim o ritmo cardíaco.
- B)I e III, apenas.
Certa, porque as assertivas I e III descrevem corretamente as principais utilidades da ergoespirometria e da ressonância magnética nas cardiopatias congênitas.
- C)II e III, apenas.
Errada, porque a II está errada e não pode compor uma alternativa correta.
- D)I, II e III.
Errada, porque a assertiva II continua incorreta, então não há como todas estarem certas.
Gabarito: B
Na avaliação das cardiopatias congênitas, cada método tem sua especialidade. O teste ergoespirométrico é muito útil para medir a resposta do organismo ao esforço: ele mostra consumo máximo de oxigênio, eficiência ventilatória, comportamento da pressão, resposta da frequência cardíaca e pode até revelar arritmias desencadeadas pelo exercício. Por isso, ele ajuda bastante no seguimento longitudinal, quando o médico quer comparar desempenho ao longo do tempo e decidir se chegou a hora de intervir. Já o holter não é exame de imagem e nem serve para estudar coronárias, colaterais ou doenças pulmonares estruturais. Ele é um monitoramento eletrocardiográfico contínuo, feito para detectar arritmias, pausas, extrassístoles e outros distúrbios do ritmo. Ou seja: ele olha o elétrico, não o anatômico. A afirmação II, portanto, está errada. A ressonância magnética, por sua vez, é uma queridinha da cardiologia congênita porque avalia muito bem volumes, funções ventriculares e fibrose miocárdica, além de quantificar insuficiência pulmonar e examinar aorta, artérias pulmonares e sistemas venosos. Ela é especialmente valiosa em casos como tetralogia de Fallot e ventrículo direito sistêmico, em que o VD precisa ser medido com capricho. Assim, o gabarito é B, porque as assertivas I e III estão corretas e a II está incorreta. Em prova, o segredo é lembrar a função de cada método: ergoespirometria mede desempenho ao esforço, holter monitora ritmo e ressonância faz a “fotografia funcional” mais detalhada das estruturas.