Sobre o tratamento da doença exantemática do caso clínico relatado nas 2 questões anteriores, é correto afirmar que
- A)deve ser iniciado precocemente com altas doses de Imunoglobulina IV (IGIV) e baixas doses de Ácido Acetilsalicílico (AAS).
Errada, porque a IGIV é usada precocemente, mas o AAS não é iniciado em baixas doses na fase aguda e sim em esquema anti-inflamatório inicialmente, com posterior ajuste.
- B)para pacientes com aneurismas em coronárias, considera-se manter o AAS indefinidamente. Nos casos de aneurismas gigantes, considerar anticoagulante adicional.
Certa, porque em aneurismas coronarianos o AAS pode ser mantido por longo prazo e, nos aneurismas gigantes, pode ser necessário associar anticoagulante.
- C)deve-se realizar corticoide endovenoso precocemente em todos os casos.
Errada, pois corticoide endovenoso não é indicado de rotina em todos os casos, ficando restrito a situações selecionadas.
- D)os anti-inflamatórios são considerados seguros e devem ser iniciados precocemente associados à aspirina.
Errada, porque anti-inflamatórios comuns não são considerados tratamento seguro e padrão para a doença de Kawasaki, além de não substituírem a IGIV.
- E)amoxicilina é o antibiótico de escolha, e deve ser mantido por até 14 dias.
Errada, porque amoxicilina não trata a doença de Kawasaki, que é uma vasculite e não uma infecção bacteriana tratada com esse antibiótico.
Gabarito: B
O quadro descrito nas questões anteriores aponta para a doença de Kawasaki, uma vasculite aguda da infância que exige tratamento precoce para reduzir o risco de aneurismas de artérias coronárias. O esquema clássico na fase aguda é imunoglobulina intravenosa em dose única e alta, associada a ácido acetilsalicílico, que começa em dose anti-inflamatória e depois costuma ser mantido em dose antiplaquetária quando a febre cede. A ideia aqui não é “capricho terapêutico”, é proteção cardiovascular: quanto mais cedo a IGIV for administrada, menor a chance de complicação coronariana. Nos pacientes que evoluem com aneurismas coronarianos, o manejo muda de peso: o AAS pode ser mantido por tempo prolongado, e em aneurismas gigantes se considera anticoagulação adicional, porque o risco de trombose sobe bastante. É por isso que a alternativa B está correta. As demais opções misturam condutas inadequadas, como corticoide para todos, antibiótico ou anti-inflamatórios comuns, que não são o tratamento padrão da doença.