Os mecanismos fisiopatológicos da Insuficiência Respiratória Aguda Pulmonar incluem:
- A)distúrbios da relação ventilação perfusão do tipo “shunt”, como ocorre na Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA).
Certa: o shunt por distúrbio V/Q é mecanismo típico de insuficiência respiratória aguda pulmonar, especialmente na SDRA.
- B)distúrbios da relação ventilação perfusão do tipo “espaço morto”, como ocorre no Tromboembolismo Pulmonar (TEP) maciço.
Errada: espaço morto é o contrário do shunt e é típico de redução de perfusão, como no TEP maciço.
- C)hipoperfusão, como ocorre no choque.
Errada: hipoperfusão pode ocorrer no choque, mas não é o mecanismo clássico de insuficiência respiratória aguda pulmonar.
- D)hipoventilação alveolar como ocorre nas intoxicações agudas por organofosforados e recirculação de anestésicos.
Errada: hipoventilação alveolar é mecanismo de insuficiência respiratória, mas as situações citadas não representam o padrão pulmonar alveolar cobrado aqui.
- E)bloqueio da difusão como ocorre nas atelectasias.
Errada: bloqueio de difusão não é o mecanismo típico das atelectasias; nelas predomina shunt por alvéolo não ventilado.
Gabarito: A
A insuficiência respiratória aguda pulmonar, em geral, acontece quando o problema está no pulmão e a troca gasosa falha por alteração da relação ventilação-perfusão (V/Q). O clássico aqui é o desvio tipo shunt, em que o sangue passa por áreas mal ventiladas ou sem ventilação, mas continua perfundindo, então não oxigena direito. É por isso que quadros como a SDRA aparecem tanto nessas questões: o pulmão até recebe sangue, mas o ar não chega como deveria. Pense assim: no shunt, falta ar onde o sangue passa. Já no espaço morto, sobra ar onde quase não passa sangue. Essa diferença é a alma da fisiopatologia respiratória cobrada em prova. A banca adora misturar os mecanismos para ver se você reconhece o defeito principal de cada quadro. Na SDRA, há colapso alveolar, edema e inflamação difusa, o que piora a ventilação de áreas que seguem perfundidas. Resultado: o mecanismo de shunt fica evidente e causa hipoxemia importante, muitas vezes refratária ao oxigênio suplementar. Por isso a alternativa que associa insuficiência respiratória aguda pulmonar ao shunt está correta. Não há aqui fundamento legal, porque a questão é puramente de fisiopatologia. O raciocínio é doutrinário e clássico da pneumologia: falha de oxigenação por distúrbio V/Q, especialmente shunt em doenças alveolares difusas como a SDRA.